Falar com Filipe Luís é sempre uma garantia de boa conversa. Foi assim mais uma vez na entrevista que o lateral deu ao Marca, em que comenta sobre a vinda para o Brasil, diferenças do futebol brasileiro e europeu, Atlético de Madrid e, claro, Flamengo e o sonho de Libertadores. Aos 34 anos, o jogador, nascido em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, é um apaixonado por futebol, que fala sobre o assunto sempre com autoridade e conhecimento de quem acompanha não só por obrigação profissional, mas porque gosta mesmo.

Diferenças do futebol europeu e brasileiro

“Estão me facilitando tudo para mim, porque essa equipe tem muito nível. Os jogadores são de muita qualidade e já conhecia a alguns companheiros, temos um treinador europeu… O que mais me custou foi sair de Madri”, disse Filipe Luís.

“Mas estou muito surpreso pela intensidade dos treinamentos, pelos companheiros que temos e a competência dos rivais. Não são tão organizados como na Europa e deixam muito a desejar na hora de juntar as linhas. Mas no individual esta é uma fonte de bons jogadores. Todos controlam bem a bola, têm um bom passe…”, relatou o lateral.

“Ainda está muito abaixo do europeu, mas não no individual. É o país com mais jogadores disputando a Champions League, por exemplo. Alguns clubes têm uma situação estável, mas outros estão muito mal. Há muita desigualdade”, continuou.

Saída do Atlético

“Poderia ter ficado [mais um ano], mas falei com todos e acreditamos que era o momento de nos separarmos, que o clube estava bem coberto nessa posição. Valorizo o tratamento que recebi do Atlético até o último momento, me deixaram escolher o que fazer. Penso em voltar, nem sequer aluguei a minha casa em Madri porque algum dia quero voltar e treinar crianças ou ajudar no que quer que seja no clube”, disse o jogador.

A contratação pelo Flamengo

“Fazia muito tempo, desde que ia ficar livre [de contrato], que disse que tomaria a decisão depois da Copa América. Mantive uma reunião com o Atleti para decidir juntos, assim que deixei passar o tempo. Nesses meses, alguns clubes retiraram a proposta por mim, e foi o Flamengo que esperou até o final”, contou o lateral.

“Foi quem mais demonstrou interesse e carinho. Alguns companheiros que eu nem conhecia me escreveram. Desde pequeno sempre sonhei em jogar no Brasil. Alguns não entendem a grandeza deste clube, mas por exemplo, nos 200 metros que ando para levar meus filhos à escola, sempre alguém vem falar comigo”, disse ainda o ex-jogador do Atlético de Madrid.

Libertadores

“É como a Champions, é uma motivação porque o Flamengo só ganhou uma e foi em 1981; ganhar a Libertadores é fazer história para o resto da vida no Brasil. Por isso jogo futebol”, afirmou o jogador.

Juanfran

“Me surpreendi quando ele comentou comigo, mas ele queria vir e viver esta experiência, sempre chamou a atenção dele. Para se sentir um jogador e viver um desafio não há lugar melhor no mundo que este”, contou o brasileiro.

Renan Lodi

“Eu vi algumas das suas jogadas esses dias, como contra o Eibar que deu uma assistência. Tem força, juventude, vontade de aprender sobre tudo, humildade. Assim, acredito que será o melhor lateral da história do Atlético. Tem tudo para ser. O clube não só contrata jogadores com talento, mas também com uma grande qualidade humana. Eu sei que se contratam assim, buscam se informar sobre como são fora de campo, se gosta da noite, se são boa gente, bons companheiros, se treinam bem… Com Lodi, acertaram”, avaliou Filipe Luís.

Saída de Griezmann

“Eu entendi, estava há muitos anos no Atlético e tinha vontade de algo novo. Enquanto esteve no Atlético ele nos deu muito, eu acredito que ele devolveu tudo que o clube apostou por ele. Estar muito tempo no mesmo lugar pode te levar a um estado de conforto que não se motive mais. Assim, todos entendemos e devíamos nos lembrar com muito carinho, foi o melhor de todos”, afirmou o jogador.

Jogadores gostam do futebol do Atlético?

“Claro. Tivemos jogos que sabíamos que íamos vencer. Quando se defende em bloco, se corre menos. Acima de tudo, ganhamos partidas, sempre vemos que o esforço tem sua recompensa. Não gostamos quando não ganhamos, isso sim que dói, mas eu fui extremamente feliz jogando pelo Atlético”, contou o jogador.

Neymar

“Não sei, quero acreditar que sim, porque se não, seu nome não teria sido falado todos os dias nesses últimos dois meses. Mas não é fácil sair do PSG porque geralmente eles não vendem. Eu o vejo com a alma tranquila depois de dizer que fica em Paris. Estar tanto tempo pendente do seu futuro é complicado, eu vivi isso quando estava no Deportivo e estava definindo se iria para o Barcelona, Atlético… Na hora de sair do Chelsea… Nessas semanas você não dorme. Certamente ele tem muita vontade de jogar, no PSG pode se desenvolver ao máximo, e além dele ainda há o Mbappé, Icardi, Cavani… É importante que ganhem algo, que volte a ser Neymar”, opinou o jogador.

Fim de carreira

“Vivo pelo desafio de me sentir bem jogando futebol, sei que esta pressão não voltarei a viver nem como treinador. Vou tentar fazer o que me disse um dia Valdano: espremer até a última gota de futebol”, afirmou ainda Filipe Luís.