O sábado contou com uma tradicional invasão de campo no Estádio Keepmoat. Euforia óbvia, diante do acesso do Doncaster Rovers à League One, a terceira divisão do Campeonato Inglês. Os alvirrubros fazem uma campanha arrasadora na League Two. São donos do melhor ataque e possuem seis pontos de vantagem na liderança. Com 18 pontos de folga em relação à zona dos playoffs, confirmaram o retorno à terceirona com cinco rodadas de antecedência, uma temporada depois da queda. E um dos protagonistas do feito possui o gosto pelas vitórias no sangue: Darren Ferguson, herdeiro de Sir Alex.

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Meio-campista de trajetória modesta, embora tenha começado no Manchester United, Ferguson sempre indicou o desejo de seguir os passos do pai. Não à toa, sua saída do Wrexham, clube que defendeu por oito anos, foi motivada justamente pela decepção de não ser considerado para o cargo de treinador em janeiro de 2007. Meses depois, se juntou ao Peterborough United, ganhando a primeira oportunidade com a prancheta. E não decepcionou: em duas temporadas, conquistou dois acessos, colocando a equipe na Championship após 15 anos. Depois disso, o novato assinou com o tradicional Preston North End, mas não emplacou, demitido após 10 meses. Voltaria para mais cinco anos com o Peterborough, levando o acesso outra vez na League One em 2011, mas caindo à terceirona duas temporadas depois e estagnando por lá – apesar da conquista do Football League Trophy em 2014.

Ferguson deixou o Peterborough em fevereiro de 2015. Em outubro do mesmo ano, fechou contrato com o Doncaster. E as expectativas sobre o escocês começaram a murchar logo na primeira temporada, atravessando 16 rodadas sem vencer e amargando o rebaixamento à League Two. Apesar disso, o treinador ganhou o respaldo da diretoria para tentar dar a volta por cima. O que, enfim, se concretizou neste final de semana. A vitória por 1 a 0 sobre o Mansfield Town selou o acesso. Horas depois, Fergie foi anunciado como o melhor técnico da English Football League, em premiação que leva em conta todos os seus colegas da segunda à quarta divisão.

“A consistência foi nossa principal virtude. Eu acho que nosso elenco teve nesta temporada mais líderes e caráteres melhores. Habilidade nunca é suficiente, você precisa de caráter, de desejo e de vencedores. Tivemos um vestiário cheio disso agora e unimos isso à nossa ética de trabalho. É motivante ver a postura dos atletas, todos querem aprender e melhorar, não importa a idade. Eu sei que, como técnico, eu posso confiar em meus jogadores”, declarou Ferguson, após a festa. O Doncaster assumiu a liderança justamente na virada do ano, permanecendo intocável no topo pelas últimas 18 rodadas, e sofreu apenas duas derrotas desde então.

Acesso e prêmio nos bolsos, Ferguson ganha confiança para a sequência da carreira. Aos 45 anos, equiparar-se ao pai é dificílimo – até porque poucos treinadores na história se dão ao luxo de tal comparação. No entanto, pode escrever uma caminhada vitoriosa, mesmo se não chegar à elite. A recuperação com o Doncaster é o primeiro passo para frente após alguns para trás. E a dominância ao longo da League Two demonstra que o trabalho se firma para voos maiores.