Uma das transferências mais polêmica de todos os tempos na Espanha aconteceu em julho de 2000, prestes a fazer 20 anos: a ida de Luís Figo do Barcelona para o Real Madrid, por uma quantia recorde na época, € 60 milhões (equivalente a € 84,6 milhões, com valores corrigidos pela inflação). Líder no Barcelona, onde também era ídolo, Figo se tornou parte do elenco galáctico do Real Madrid na época.

A contratação de Figo foi por um valor que quebrou o recorde mundial na época. Um ano depois, porém, o Real Madrid quebrou novamente o recorde para levar o francês Zinedine Zidane para o Santiago Bernabéu, que deixou a Juventus por € 77,5 milhões (com correção inflacionária, € 106,5 milhões).

Naquela época, uma transferência como essa parecia impensável. A cláusula de rescisão tinha um valor que parecia alto demais para ser pago, ainda mais por um rival. Até que aconteceu. “Pode ser que hoje seja mais difícil uma transferência assim, mas nada é impossível no futebol. Quem iria dizer que há 20 anos se iria pagar tanto por um jogador?”, contou Figo em entrevista ao Club Del Desportista.

As pessoas se lembram pouco que eu cheguei ao Barça para substituir [Michael] Laudrup, que acabara de ser contratado pelo Real Madrid. E isso está aumentando com o tempo”, contou o ex-jogador. “Mas é verdade que os clubes tomam mais precauções nesse sentido, com a inclusão de cláusulas de rescisão muito altas. Mas loucuras sempre podem ser cometidas. Eu sempre pensei que ninguém seria capaz de pagar minha cláusula”, declarou ainda o português.

Figo lembrou de uma das cenas mais marcantes daquela polêmica transferência: a sua volta ao Camp Nou, agora com a camisa do Real Madrid, que teve até uma cabeça de porco atirada no gramado em direção ao jogador. “Não se pode negar que a partida iria ser, digamos, especial, mas não com as dimensões que adquiriu. A imprensa, logicamente por interesses próprios, esquentou a partida da forma que fez, mas cada um é livre para atuar da forma como pensa”, criticou o jogador.

As polêmicas foram grandes e Figo afirmou que a sua decisão foi pessoal e que ao longo do tempo se provou acertada. “Sou extremamente feliz pela decisão que tomei”, disse o ex-jogador. Figo ficaria no Real Madrid até 2005, quando deixou o clube rumo à Inter de Milão, ao final do seu contrato. O ex-jogador português atribuiu a sua saída à relação com o então técnico dos blancos, o brasileiro Vanderlei Luxemburgo.

“O início da minha relação com ele foi normal, de treinador e jogador, mas depois as coisas foram se deteriorando um pouco e acabei saindo do Real Madrid por decisões do treinador, por não jogar”, explicou Figo. “Não era razões técnicas e sim razões de outro tipo. A experiência [com Luxemburgo] começou normal, mas acabou por terminar bastante negativa”. Figo jogaria por mais quatro anos na Inter de Milão até se aposentar, em 2009, aos 36 anos.

Ronaldo: o que mais impressionou

O brasileiro Ronaldo Nazário foi o jogador com quem ele atuou que mais impressionou Figo ao longo da sua carreira, segundo depoimento que deu ao Fox Sports. Figo chegou ao Barcelona em 1995 e Ronaldo chegaria ao clube um ano depois, vindo do PSV. Ronaldo deixaria o Barcelona em 1997, mas voltaria a atuar com Figo em 2002, quando deixou a Inter para se juntar aos galácticos.

“Ronaldo foi o que mais me impressionou, tanto no Barcelona quanto no Real Madrid. No Barcelona, quando não tinha muitas lesões, mostrou todas as suas qualidades. Não precisava fazer muito para fazer a diferença. Isso é ser especial”, confessou o português, que jogou com um jovem Cristiano Ronaldo na seleção portuguesa.

Cristiano Ronaldo

Figo ainda comentou sobre a saída de Cristiano Ronaldo, que trocou o Real Madrid pela Juventus em 2018. O compatriota custou € 117 milhões aos italianos (€ 120 milhões, em valores corrigidos pela inflação). Ele foi contratado em 2009 por € 94 milhões (€ 108,4 milhões, corrigido pela inflação).

“Cristiano fez muito pelo Real Madrid e o Real Madrid fez muito por Cristiano. Qualquer equipe iria querer tê-lo, porque é um jogador que te garante gol, que é o mais importante. E não poucos gols, como bem sabemos”, comentou ainda o ex-jogador.