Restaurar a imagem da Fifa e a confiança do público, abaladas pela corrupção e pela falta de transparência. Esse é o principal objetivo de todos os pré-candidatos à eleição presidencial deste ano, dos sérios e dos folclóricos. O mais novo insurgente ao reinado de Joseph Blatter é um velho conhecido do futebol europeu, vencedor da Bola de Ouro e da Champions League. Luis Figo anunciou a sua candidatura nesta quarta-feira, em entrevista à CNN.

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O português é mais um ex-jogador a se juntar ao pleito, mas, diferente do francês David Ginola, bancado por uma empresa de apostas, o seu desafio não tem ares de campanha publicitária. Para começar, não há ninguém por trás dando apoio financeiro. Garantiu que está pagando pela própria candidatura. E apesar do seu plano de governo ainda precisar de alguns detalhes, demonstra mais conhecimento sobre a situação atual da Fifa.

Sai também à frente da maioria dos outros concorrentes porque tem experiência como dirigente esportivo – um dos requisitos – na Internazionale, na Federação Portuguesa e na própria Uefa. Não quis divulgar quais, mas conta com o apoio das cinco associações nacionais de futebol necessárias para oficializar a candidatura. Por enquanto, apenas ele, Blatter e o presidente da Federação Holandesa podem dizer isso.

Figo afirmou que tirou a inspiração para ser presidente da sua visita ao Brasil durante a Copa do Mundo de 2014 e dos protestos populares que atacavam a Fifa. As maiores manifestações aconteceram entre junho e julho de 2013, na realidade, embora tenha havido algumas movimentações durante o torneio. As exigências, escoradas na falta de confiança na entidade, eram por menos dinheiro para estádios e mais para saúde e educação. “Naquele momento, achei que algumas coisas deveriam mudar. Uma mudança de liderança, mudança de governo, em transparência e solidariedade. Acho que é o momento para isso”, disse.

Solidariedade é a única proposta que Figo apresenta no momento. Promete que seu primeiro passo na luxuosa sede da Fifa em Zurique será na direção de ouvir o que cada federação nacional precisa. O segundo será aumentar a divisão da enorme reserva monetária da entidade entre as federações. “A Fifa tem muitas reservas financeiras que pertencem às federações. Com esse tipo de repasse solidário, acho que as federações podem ter a chance de melhorar todos programas de raízes”, afirmou.

Música para os ouvidos dos dirigentes, sempre sedentos por mais dinheiro, embora ainda seja cedo para cravar que Figo possa ser uma ameaça real. Porque, à medida que a eleição se aproxima, mais candidatos vão surgindo para dividir os votos. Não parece ser uma tática inteligente contra um presidente poderoso como Blatter, desde 1998 sentado na mesma cadeira. Uma oposição unida e homogênea teria mais chances do que essa partilhada em pedacinhos que se projeta para maio.

O verdadeiro cenário eleitoral ainda é obscuro. Precisamos ver quais pré-candidatos conseguem o apoio necessário e se há afinidade política para unificar as chapas de oposição durante os próximos meses. De qualquer forma, entre Jérôme Champagne, David Ginola, Michael van Praag e o príncipe Ali Bin Hussein, Figo tem o maior potencial para destronar Blatter. Conta com reputação mundial, um cérebro articulado e boas intenções. Precisa mostrar, porém, que está disposto a ir além delas e provar que não entrou nessa por vaidade, como tantos e tantos dirigentes que já vimos no futebol.

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