A FIFPro, sindicato mundial de jogadores profissionais de futebol, afirmou que irá oferecer apoio a qualquer jogador que enfrente a proibição do Comitê Olímpico Internacional (COI) que proibiu qualquer protesto ou manifestação política na Olimpíada de Tóquio 2020. Para a entidade, isso fere a liberdade de expressão dos jogadores e, por isso, estará ao lado dos que se manifestarem.

Jonas Baer-Hoffmann, secretário-geral da FIFPro, descreveu a proibição como hipócrita e ainda ressaltou que os jogadores de futebol foram importantes em levantar questões cruciais como o racismo e igualdade de gênero. Por isso, seria inaceitável punir alguém por uma ação similar durante os Jogos Olímpicos.

O torneio masculino tem menos prestígio, com limite de jogadores sub-23 além de outros três acima da idade, mas o torneio feminino é um dos mais prestigiados da categoria e não tem qualquer limite de idade. Questões como as citadas, de igualdade de gênero e racismo, são frequentemente motivos de manifestação das jogadoras, mais fora de campo que em campo, mas ainda assim eventualmente em campo também.

O COI anunciou no último dia 10 de janeiro uma norma que proíbe os atletas de fazerem manifestações políticas e religiosas durante as Olimpíadas de Tóquio. Segundo o COI, o motivo para isso é “impedir transformar os Jogos em uma ferramenta política”.

O documento do COI lista o que é proibido como “qualquer mensagem política, incluindo sinais ou braçadeiras, gestos de natureza política, como gestos com as mãos ou se ajoelhar, ou se recusar a seguir os protocolos de cerimônias”. Os jogadores, porém, estão liberados para manifestarem-se nas coletivas de imprensa e social mídia.

“Nós sentimos muito fortemente que a liberdade de expressão dos jogadores e a liberdade de se expressar sobre questões políticas precisam ser protegidas”, afirmou Baer-Hoffmann aos repórteres de agências internacionais durante a Conferência de Organização internacional do Trabalho sobre direitos dos atletas.

“Nós certamente iremos apoiar quaisquer jogadores que sintam que eles querem expressar suas visões e eles querem ser parte de um movimento social por mudança. Se o COI decidir punir jogadores nessa ocasião, nós iremos certamente apoiá-los e defendê-los”, continuou. “A liberdade de expressão se sobrepõe a qualquer outro interesse que esteja em jogo ali”.

Os jogadores são capazes de jogar um holofote em questões importantes e é isso que tem acontecido. “É por causa de jogadores como Raheem Sterling, pessoas como Kalidou Koulibaly ou Mario Balotelli que tomam os assuntos em suas próprias mãos”, afirmou Baer-Hoffmann. O dirigente também diz que as jogadoras do futebol feminino também usam a sua visibilidade para lutar por condições melhores.

“Agora temos uma regra hipócrita que diz que se fizer isso nas suas instalações, esta é uma ofensa punível. Isso é absolutamente inaceitável. Jogadores são humanos primeiro e eles têm o mesmo direito de se expressar nós iremos defendê-los se isso for necessário”, declarou ainda o secretário-geral da FIFPro.

Vale lembrar que há ligas que abraçam campanhas, como a Premier League, em que os capitães usaram braçadeiras com o arco-íris representando o movimento LGBTQ+, assim como jogadores usaram os chamados “rainbow laces”, cadarços coloridos também com a bandeira colorida. A liga também tem parceria com entidades que combatem racismo. Estas ações, se feitas na Olimpíada de Tóquio, serão passíveis de punição de acordo com a norma divulgada.

O torneio olímpico de futebol tem 16 equipes no masculino e 12 no feminino. Começa no dia 22 de julho – dois dias antes da cerimônia de abertura – e vai até o dia 8 de agosto.