A paralisação (quase) total do futebol pela emergência do Coronavírus e da doença causada, o Covid-19, já causam preocupações na FIFPro, o sindicato mundial de jogadores. Segundo o secretário-geral da entidade, Jonas Baer-Hoffman, alertou sobre o número de empregos gerados pela indústria do futebol e a necessidade de assistência à grande maioria dos seus membros, que são tão muito afetados como qualquer trabalhador.

O clima de incerteza deixa o mundo em alerta e há preocupações com o futebol, como tantas outras indústrias, que pode sofrer abalos grandes. “Pela primeira vez em décadas, nós estamos encarando uma crise real, consistente na indústria”, declarou Hoffman. “Nós temos que olhar o impacto socioeconômico do coronavírus”.

“Não apenas os jogadores, mas outras pessoas empregadas pelo futebol profissional – nossa indústria emprega centenas de milhares. Há o potencial para que as coisas fiquem feias rapidamente”, explicou o dirigente. “Para a maioria dos nossos membros, homens e mulheres, a perda de receita é ameaçadora como é para qualquer trabalhador e nós estamos recebendo as primeiras mensagens de dispensa dos jogadores, com atrasos de salários e clubes sendo ameaçados”.

“Nós sabemos como o orçamento dos clubes de futebol é gerido. Eles estão sempre perto do limite ou um pouco acima em termos de liquidez. Se não respondermos rapidamente em termos de estabilização do fluxo de dinheiro, nós podemos veremos demissões em massa de jogadores e outros funcionários dentro de semanas”, continuou Hoffman.

“Na Irlanda e nos países nórdicos, nós tivemos a primeira medida sendo tomada que pode afetar a empregabilidade de jogadores. Uma vez que esses empregos acabarem e os clubes estejam falidos, é difícil que se recuperem depois que o coronavírus terminar”, explicou o executivo da FIFPro.

A FIFPro está buscando junto à Uefa possibilidade de empréstimos de curta duração, ou adiar pagamentos que sejam devidos pelos clubes. Há um temor que os clubes pequenos não consigam sobreviver a uma crise desse tamanho e tenham muito mais dificuldade para voltar a operar de forma profissional.

O adiamento da Eurocopa de 2020 deu um pouco de respiro para que as ligas nacionais terminem, mas a situação ainda é preocupante. “O que está claro é quando nós começarmos, será um calendário muito apertado”, disse Hoffman. “Nós sabemos o quão grande é o problema que temos com o calendário, no que diz respeito ao bem-estar dos jogadores. Nesse cenário, o estresse estará nos jogadores”.

“Nós iremos ter conversas duras sobre isso sobre quando jogar as partidas e terão que ser geridas, mas os jogadores estão percebendo que a não ser que nós encontremos soluções e joguemos as temporadas até o final, eles estarão sem trabalho”, declarou ainda Hoffman.

Um dos problemas é que muitos contratos de jogadores terminam no dia 30 de junho, data usada como limite para o final da temporada na Europa, tal qual se usa o dia 31 de dezembro no Brasil. Por essa razão, será preciso que alguns jogadores, que ficariam sem contrato, possam ter contratos de emergência, menores que o tempo mínimo exigido pela Fifa, que é de três meses.

Os contratos poderiam ser estendidos, excepcionalmente, por algumas semanas, até que a temporada se encerre. Além disso, a janela de transferências também seria postergada, de forma que não acontecesse enquanto os campeonatos não chegassem ao fim.

“Nenhum de nós sabe quando nossas vidas serão normais novamente e colocar 50 mil pessoas em um estádio não será a primeira coisa que faremos”, disse Hoffman. “Quando as pessoas começarem a voltar a trabalhar, os jogadores não serão capazes de sair direto dos seus apartamentos e jogar futebol. Haverá necessidade de um tempo para colocá-los de novo em condições”.