A Copa do Mundo completará 100 anos em 2030, ano que terá uma nova edição da competição. A Copa 2022 será no Catar e a de 2026 será dividida entre Estados Unidos, Canadá e México. A definição para 2030 ainda está distante, mas há muita movimentação nos bastidores para candidaturas. A Inglaterra, que pleiteia sediar uma Copa pela primeira vez desde 1966 e já fracassou nas campanhas para 2006 e 2018, quer ser candidata para 2030. Terá certamente a concorrência de Uruguai e Argentina, que já manifestaram seu interesse.

As candidaturas divididas entre mais de um país se tornaram comuns. Em 2000, Holanda e Bélgica dividiram a sede da Eurocopa. Em 2002, Japão e Coreia do Sul também dividiram a sede da Copa do Mundo. Foi a primeira e única até agora. Com as dificuldades e os altos custos para sediar um torneio como a Copa, as candidaturas conjuntas se tornaram uma saída para amenizar um pouco esse impacto.

A abertura da Fifa para que mais de dois países sediassem o evento já permitiu que 2026 tivesse três países, com Estados Unidos, Canadá e México. Só que a Fifa parece disposta a ir ainda mais além. Já se cogitou até uma Copa sediada em dois continentes, com Espanha, Portugal e Marrocos, geograficamente próximos, mas em dois continentes diferentes, sediem. Esta candidatura, porém, ainda não parece tão próxima de acontecer. A disputa para sediar 2030 parece ter Inglaterra e América do Sul como principais candidatos.

Perguntado se em 2030 o torneio poderia ser disputado com distâncias ainda maiores que em 2026, Infantino deixou a possibilidade aberta. “Eu respeito a vontade das pessoas. Se a vontade das pessoas será a mudança, ser mais aberto, ser mais inclusivo com diferentes partes do mundo ao mesmo tempo, talvez devamos fazer isso. Nós ainda temos tempo. A decisão para 2030 será tomada em 2024. Para mim, como presidente da Fifa, quanto mais candidatos tivermos, mais feliz eu fico”, disse o dirigente.

Dividir em dois continentes tão distantes como Europa e América do Sul seria uma loucura, uma insanidade logística que não tem qualquer sentido, nem para torcedores, nem para quem transmite, e nem para os atletas e as delegações dos times. A possibilidade de dividir entre dois continentes só parece viável se fosse algo como Espanha, Portugal e Marrocos, que são realmente próximos, ou mesmo Austrália e Ásia – e mesmo assim, neste último caso, as distâncias seriam enormes. Soa mais como uma fala para manter possibilidades em aberto, mas sem dar qualquer detalhe, parece apenas politicagem da bca para fora.

Como já falamos por aqui, a ideia de uma Copa 2030 na América do Sul pode reativar a febre de bola no continente, mas as lições de 20124 precisam ser ficado. A ideia surgiu de reviver o Centenário no Uruguai, com a Argentina como parceria, mas foi expandido para Paraguai e, posteriormente, também o Chile.

A Inglaterra também avalia a possibilidade de não só sediar a Copa, mas dividi-la com outros países da região. Em 2018, dirigentes falaram da possibilidade de uma Copa em todo Reino Unido, com Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte.

Outros candidatos já surgiram. Políticos do Leste Europeu manifestaram a vontade de uma candidatura conjunta de Bulgária, Grécia, Romênia e Sérvia, que seria uma proposta balcânica para 2030. A China até quer ser candidata a sediar em 2030, mas apenas como aprendizagem. O foco mesmo é sediar a Copa de 2034.

Mundial de Clubes masculino e feminino

Infantino esteve em Budapeste para o congresso AIPS (International Sport Press Association) e disse acreditar que o Catar estará pronto para sediar a Copa 2022 com uma antecipação maior que qualquer outra sede anterior. O dirigente também citou que a Fifa cogita que a Copa do Mundo Feminina seja a cada dois anos e quer fazer um Mundial de Clubes Feminino.

O novo Mundial de Clubes com 24 clubes passará a ser disputado em 2021 e Infantino defendeu a sua realização, mesmo com as críticas de um calendário muito apertado para uma nova competição deste tipo – que substitui a Copa das Confederações no calendário mundial. “Não estamos em um negócio que o primeiro a chegar é o primeiro a ser servido”, afirmou, em referência aos torneios que já existem. “Há clubes mundiais, eles têm uma base de torcedores ao redor do mundo. Há uma demanda”, continuou.

Protocolo contra racismo mundialmente

O presidente da Fifa também afirmou que espera que todos os árbitros e competições pelo mundo introduzam o protocolo de três passos para lidar com o racismo. Os passos são os seguintes: paralisação da partida, com anúncio no estádio sobre o ocorrido e pedindo que os torcedores parem; suspensão da partida, com os jogadores voltando ao vestiário e a partida interrompida por um determinado período de tempo, como se faz por condições climáticas; abandono da partida, depois de seguidos os dois primeiros passos, o jogo pode ser encerrado antecipadamente.

“É nossa responsabilidade lutar contra o racismo”, afirmou. “O árbitro pode parar a partir, interromper a partida ou abandonar a partida. E todo árbitro deve fazer isso. Começou a ser aplicado, mas apenas em alguns países. Eu irei propor que façamos dessas regras universais. Se elas não forem, a Fifa pode intervir diretamente como a Wada faz por doping em um país ou federação e tornar essas regras universais”, declarou Infantino. O dirigente quer que os torcedores pegos cometendo atos de racismo sejam banidos nos estádios.