O Chelsea foi punido com a proibição de fazer contrações por duas janelas de transferências. As infrações foram analisadas pela Fifa e consideradas graves em relação nas contratações de jogadores estrangeiros menores de idade. Com isso, os Blues ficam proibidos de contratar na janela de verão, em julho e agosto de 2019, e na janela de inverno, de janeiro de 2020. Só poderia voltar a contratar em julho de 2020. O clube inglês já divulgou que irá recorrer da decisão. A punição, que causará um impacto muito grande no time de Londres, é igual à que foi dada a Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid pelo mesmo tipo de infração.

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A Fifa anunciou a punição depois de uma longa investigação no clube e no registro de jogadores nas categorias de base em muitos anos. Segundo o jornal Guardian, a Fifa analisou mais de 100 casos de jogadores do Chelsea. Segundo a Fifa, foram encontradas 29 violações do Artigo 19, a mais séria em relação ao registro de menores de idade, e muitas outras. O Chelsea foi multado em 600 mil francos (450 mil libras ou € 528 mil). Além disso, o clube recebeu 90 dias para regularizar a situação dos jogadores, o que pode significar ser forçado a transferir jogadores levados ao clube de forma irregular.

“O Chelsea categoricamente refuta categoricamente as conclusões do comitê disciplinar da Fifa e, portanto, irá recorrer da decisão”, afirmou o Chelsea em comunicado. “O clube deseja enfatizar que respeita o importante trabalho feito pela Fifa em relação à proteção de menores e cooperou totalmente com a Fifa na investigação. Nós recebemos bem o fato que a Fifa aceitou que não houve violação em 63 desses jogadores, mas o clube está extremamente decepcionado pelos 29 restantes. O Chelsea agiu em concordância com as regulações relevantes e irá brevemente enviar o seu recurso à Fifa”, diz ainda o texto do comunicado.

O Chelsea pode tentar recurso no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS, também chamado de CAS – Corte Arbitral do Esporte). É possível que o clube consiga adiar a punição entrando com recursos até a última instância e, assim, possa conseguir evitar que seja punido na próxima janela, de verão europeu, em julho e agosto.

A Fifa também multou a Football Association (FA) por violação das regras de conexão com menores, impondo multa de 510 mil francos suíços (391 mil libras ou € 450 mil), permitindo um período de seis meses para resolver a situação sobre transferências internacionais e o primeiro registro de menores no futebol. A violação, segundo o Guardian, seria porque os jogadores em testes devem ser registrados pelo corpo administrativo local. A FA irá recorrer da decisão e “levantou algumas preocupações sobre o processo disciplinar da Fifa”.

A regra da Fifa é que jogadores menores de 18 anos de outros países não podem ser contratados, a não ser que os seus pais tenham imigrado por razões sem conexão com futebol ou que o clube e o jogador estejam a 50 quilômetros da fronteira. Segundo o Artigo 19 da Fifa, a exceção para isso é em jogadores da União Europeia – que em tese não são considerados estrangeiros – e que tenham entre 16 e 18 anos. Algo que os ingleses não poderão mais fazer quando – e se – o Brexit se concretizar.

A maioria dos casos analisados do Chelsea foi de jogadores que foram fazer testes no clube e acabaram não sendo contratados. Mais do que isso: o Chelsea argumenta que não há regras para fazer testes com jogadores estrangeiros sub-18, que é uma prática comum na Europa e que acredita que esses casos não podem ser incluídos no julgamento. Os jogadores que foram efetivamente contratados, o clube argumenta, foram mantidos estritamente dentro das regras da Fifa.

Casos similares aconteceram com Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid, todos punidos por irregularidades no processo de contratação de menores de idade estrangeiros. A ideia da Fifa é ajudar a proteger as crianças de potencial exploração e até tráfico. O Barcelona e o Atlético de Madrid ficou duas janelas sem poder contratar como punição, enquanto o Real Madrid ficou apenas por uma, depois de ter o seu recurso aceito no TAS.

Consequências

A punição deve causar um problema gigantesco no Chelsea. Se o clube não puder mesmo contratar já a partir da próxima janela, precisará resolver várias questões. Uma delas é a sua principal estrela, Eden Hazard, que é especulado para ir ao Real Madrid, um clube que ele já disse sonhar em jogar. Se não puder contratar, perder o seu melhor jogador será um impacto grande demais. Essa é uma preocupação para o fim da temporada.

Há preocupações mais urgentes. Uma delas é o técnico. Maurizio Sarri está em intensa pressão pelos resultados ruins que o time tem sofrido. Se o Chelsea decidir demitir o treinador, terá um problema porque o próximo técnico não poderá contratar jogadores. Como reformular o elenco se não puder contratar? Isso pode, inclusive, dar uma sobrevida a Sarri, porque ele já tem os jogadores no elenco.

Outra questão importante é a de jogadores que possuem vínculo no final. David Luiz e Olivier Giroud só têm contrato até o fim da atual temporada, 2018/19.  O francês tem uma cláusula no seu contrato que permite que o Chelsea estenda o seu contrato por mais 12 meses. Gary Cahill, que sequer vem entrando em campo, também só tem contrato até o fim da temporada, mas esse deve mesmo sair.

O problema para o Chelsea está em outros jogadores que possuem vínculo no fim. Willian, Pedro e Callum Hudson-Odoi ficarão sem contrato em julho de 2020. Suas renovações passam a ser importantes, se o clube não puder contratar. Hudson-Odoi foi desejado pelo Bayern de Munique, que fez propostas para tirá-lo do clube já na janela de janeiro, mas o Chelsea recusou. O jovem jogador não parece disposto a renovar o seu contrato, o que pode ser um problema muito sério.

Curiosamente, as violações na base podem fazer com que o clube seja obrigado a usar mais a própria base. Casos como o de Hudson-Odoi são muito comuns no Chelsea:  jogadores promissores da base que acabam não sendo utilizados porque a política é contratar jogadores importantes.

Há duas contratações já realizadas pelo clube para serem concretizadas em julho, quando a punição, em tese, seria iniciada: Christian Pulisic, que vem do Borussia Dortmund por € 64 milhões. Gonzalo Higuaín, que está emprestado pela Juventus, também deverá ser contratado ao final da temporada, embora não seja obrigatório.