A partir desta sexta-feira, as regras para mudar de seleção nacional foram flexibilizadas. A Fifa aprovou uma alteração nas determinações para que um jogador que já tenha atuado por um país possa escolher outro no futuro. Algumas situações se tornaram mais maleáveis, ainda que impeçam trocas em massa como ocorrem em outros esportes. A partir de agora, ter disputado um jogo oficial, por um minuto que seja, não mais impede que um atleta possa eleger outra equipe nacional dentro de algum tempo.

Um jogador que disputou até três partidas oficiais ou não por uma determinada seleção poderá adotar outra equipe nacional no futuro. Há limitações, entretanto. O atleta precisa ter a nacionalidade da segunda seleção escolhida na época em que defendeu a primeira. Em sua última partida, também precisa ter até 20 anos. O jogador também precisa esperar no mínimo três anos de seu jogo pela primeira seleção para mudar à segunda. Por fim, não pode ter atuado em Copa do Mundo ou em torneios continentais como a Copa América ou a Eurocopa.

A nova determinação é chamada de “emenda Munir”, por ter o caso mais proeminente encabeçado por Munir El Haddadi. Nascido em Madri, mas com pai marroquino, o atacante atuou por 13 minutos pela seleção espanhola em setembro de 2014. O jogo valia pelas Eliminatórias da Euro 2016 e o jovem, então com 19 anos recém-completados, não poderia defender outra equipe nacional posteriormente. Desde então, nunca mais ganhou chances na Roja, mas também foi impedido de jogar por Marrocos. Os marroquinos chegaram a acionar a Corte Arbitral do Esporte, que negou a mudança. Agora, com a abertura da Fifa, os Leões do Atlas ganham um reforço e tanto para o futuro.

Vicente del Bosque, responsável pela convocação, chegou a pedir pela mudança favorável a Munir: “Foi uma falha, cometemos um erro com Munir. Eu creio que ele deveria jogar por Marrocos. Temos que ser flexíveis na vida. Não deveriam impedir que se possa jogar com a sua seleção, é o mesmo com Bojan”. Vale lembrar que, em 2008, o treinador também usou Bojan Krkic por 25 minutos durante um jogo contra a Armênia pelas Eliminatórias. Depois disso, o prodígio nunca mais entrou em campo pela equipe nacional e tentou se tornar elegível à Sérvia. A Fifa negou o requerimento em 2016.

Se o jogador não disputou partidas oficiais pela seleção principal ou apenas defendeu seleções de base, a restrição abranda. Ele pode mudar de seleção se, na época em que defendeu o primeiro time, já tivesse a nacionalidade do segundo. Se não tiver a nacionalidade do segundo na época em que entrou em campo, não pode ter mais de 20 anos em sua última aparição pelo primeiro time e precisa atender requisitos básicos de cidadania determinados pela Fifa. A mudança de seleção só pode acontecer uma vez. Em compensação, se o atleta solicitar a mudança e não atuar pela nova equipe nacional, pode retornar à primeira.

Para casos de seleções que foram recém-admitidas pela Fifa, o jogador poderá solicitar a mudança de equipe nacional se não tiver atuado por sua seleção original após a admissão da nova federação. De qualquer maneira, também precisa atender os requisitos de cidadania para que jogue pelo novo país. A Fifa ainda permite que jogadores que perderam sua nacionalidade sem consentimento ou contra sua vontade por decisão do governo poderão mudar de seleção, desde que tenham uma outra nacionalidade.

Para escolher a seleção que representará, independentemente de ter defendido outro país antes ou não, o jogador precisa ter a nacionalidade garantida legalmente. Além disso, também precisa preencher ao menos um requisito, entre: ter nascido no território; ter mãe ou pai nascido no território; ter avó ou avô nascido no território; ou morar no território de maneira contínua por um determinado período de tempo.

Se a pessoa tiver passado dos 10 anos quando começou a morar neste novo país com o qual não tem ligações familiares ou no qual não nasceu, ela precisa viver lá de maneira contínua por cinco anos para ser elegível à seleção. Isso vale para mudança de seleção ou não. A Fifa especifica que o atleta precisa, exceto em circunstâncias especiais, permanecer ao menos 183 dias (ou seja, mais de 50% do ano) presente fisicamente no território a cada 12 meses. E não pode se transferir a um clube de outro país neste intervalo de cinco anos. O período diminui de cinco para três anos se a mudança ao novo país ocorreu até os dez anos de idade.

A Fifa também determina que o jogador, ao adotar uma seleção, precisa provar que não passou a viver no território apenas pelo propósito de defender a equipe nacional. Isso é fundamental para que determinadas federações não forjem suas seleções.