Para roda da fortuna girar, Fifa banca continuidade da Copa

Entidade emitiu comunicado defendendo a "liberdade de expressão" e garantindo a continuidade da Copa das Confederações, apesar dos protestos no Brasil

Até o momento, o único posicionamento da Fifa sobre as manifestações no Brasil havia acontecido através de frases soltas de Joseph Blatter. E o presidente não ajudou muito a entidade pela futilidade de suas palavras, afirmando que “as pessoas estão usando a plataforma do futebol e a imprensa internacional para deixar claro certos protestos”. Ignorou o estopim das insatisfações e só fez por justificar as vaias recebidas na abertura da Copa das Confederações.

Com certo atraso, finalmente a Fifa declarou sua visão oficial sobre os acontecimentos no país. A carta divulgada pelo organismo contém certa demagogia, é verdade. Afirma que apoia a liberdade de expressão, mas não menciona os confrontos ocorridos nos arredores dos estádios ou as acusações de que teria censurado cartazes nas arquibancadas.

De concreto, o principal ponto no pronunciamento da Fifa é o fato de que a Copa das Confederações não será interrompida por conta das manifestações. Nada surpreendente, diante dos esforços de manter distante qualquer sinal de contraposição ao clima de “festa do futebol” que tenta transmitir ao mundo com a competição.

Afinal, a Fifa é a maior interessada em vender uma boa imagem do Brasil neste momento. A um ano da Copa, não teria tempo hábil para mudar a sede de seu principal produto, que alimenta seus cofres com milhões. Passar uma boa impressão do país é a chave para atrair turistas, patrocinadores e fazer girar sua roda da fortuna.

Já aos brasileiros, resta aumentar a pressão e cobrar a entidade por todos os seus atos até a Copa do Mundo – a Lei Geral da Copa que garante à Fifa e a seus parceiros direito de indenização e é interessante monitorar. Protestar contra a realização do Mundial no país já não adianta muito, os gastos exorbitantes já foram quase todos feitos e o que resta agora é esperar pelos possíveis lucros com a competição – o texto de Oliver Seitz explica essa questão. Uma atitude que também não significa aceitar a mordaça e acreditar que tudo é tão lindo quanto a Fifa espera transmitir.

Confira o comunicado completo da Fifa:

“Nós reconhecemos e apoiamos a liberdade de expressão e o direito de manifestar-se de forma pacífica e condenamos todas as formas de violência. Estamos em contato constante com as autoridades locais e temos total confiança nas medidas de segurança implementadas”.

“Nós continuaremos a monitorar a situação. Em nenhum momento a FIFA, o Comitê Organizador Local (COL) ou o Governo Federal discutiram ou sequer consideraram o cancelamento da Copa das Confederações da FIFA”.

“Estamos em contato constante com as partes envolvidas, incluindo as equipes, e os manteremos informados sobre todas as medidas tomadas. Nós não recebemos qualquer pedido, de qualquer equipe, relativo a deixar o Brasil”.