A pandemia de coronavírus teve um impacto de US$ 14 bilhões no futebol mundial (equivalente a R$ 73 milhões) e, embora a Europa tenha sofrido as piores perdas em valores absolutos, em termos relativos a América Latina foi a que perdeu mais receitas, segundo o presidente do Comitê Directivo do Plano de Alívio da COVID-19 da Fifa.

Segundo Olli Rehn, governador do Banco da Finlândia e membro do Conselho-Admistrativo do Banco CEntral Europeu, a base da estimativa é que um terço da economia do futebol mundial, avaliada em um total de US$ 40 bilhões a US$ 45 bilhões, foi afetado pela pandemia e acrescentou que os efeitos ainda estão em andamento.

“No auge da pandemia, o futebol parou completamente em todas as 211 federações associadas à Fifa, menos quatro. Teve um impacto muito dramático”, afirmou. “Não pode haver um número exato, mas é a estimativa de perdas nas 211 associações. O impacto estimado é de US$ 14 bilhões”.

Rehn citou, segundo o Guardian, o Brasil como um dos países mais afetados. “Se você olhar aos detalhes das perdas em termos absolutos e relativos, clubes e federações da Europa receberam o maior impacto em números absolutos. Mas, relativamente, os que estão fora da Europa sofreram mais, especialmente na América Latina por causa da mistura de receitas e do timing das temporadas. Países menores que são dependentes da Fifa serão menos atingidos”, explicou.

A Fifa lançou um plano de auxílio de US$ 1,5 bilhão, usando suas reservas, para tentar minimizar as perdas, com financiamentos de US$ 1,5 milhão para cada federação que o pedir. “As perdas, sob qualquer cenário, são grandes demais para a Fifa mitigar sozinho. A implementação do plano de alívio da Covid-19 é um processo em andamento e até agora recebemos pedidos de mais de 150 federações”, contou.

“A Tailândia está usando os fundos para retomar sua liga nacional, incluindo testes de Covid-19 e começando a usar o VAR. O México está usando os fundos para sua liga feminina, e o Brasil, para a compra de testes de Covid-19 para sua liga feminina. No Uruguai, o pagamento será usado para garantir que funcionários que foram demitidos das federações possam ser recontratados”.

“Esses são alguns exemplos e, no fim das contas, os benefícios serão vistos no longo prazo porque o plano de alívio é para permitir que os clubes e as federações superem a crise atual e trabalhem de olho no futuro”, completou.

Um terço do valor recebido tem que ser necessariamente usado no futebol feminino, e a Fifa promete fazer um auditoria rígida para impedir que o dinheiro seja desviado. “As condições foram colocadas para que não se possa usá-lo para, por exemplo, construir novos estádios. O fluxo de caixa da Fifa é transparente. Todos os beneficiários terão que responder por cada centavo aos auditores. Aprendemos nossa lição e estamos melhorando nossas ações”, prometeu Rehn.

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