A Fifa anunciou nesta quinta-feira que a seleção do Zimbábue foi excluída das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, na Rússia. O motivo é a falta de pagamento ao técnico brasileiro Valinhos, que comandou a seleção do país entre fevereiro e novembro de 2008. A entidade máxima do futebol já havia dado vários avisos à federação de futebol do Zimbábue (Zifa) e, como a situação não foi resolvida, seguiu em frente com a expulsão. Decisão correta, exceto pelo duplo padrão em comparação a outro famoso caso recente, envolvendo a própria Rússia.

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Entre junho de 2014 e fevereiro deste ano, Fabio Capello, técnico da seleção russa, não recebeu seus vencimentos. A situação só foi resolvida quando Alisher Usmanov, dono da maior fortuna do país e vice-presidente do Arsenal, interveio e pagou os € 5,47 milhões que a federação devia ao italiano. Em momento algum a Fifa se intrometeu na situação. É verdade que é ingenuidade demais imaginar uma sanção do tamanho de uma expulsão àqueles que sediarão o principal torneio de futebol do mundo. Mas pelo menos uma pequena multa qualquer já tornaria a decisão em relação a Zimbábue menos incoerente.

Parece claro o duplo padrão exercido pelos dirigentes da entidade. Meter-se com federações representativas como é a russa seria demais, agora sancionar aqueles que de fato têm grandes problemas financeiros não exige demais. No fim, os maiores prejudicados, esportivamente falando, são os atletas zimbabuanos, privados da possibilidade de conseguirem uma classificação inédita a uma Copa do Mundo. Quase inimaginável, é verdade, mas pelo menos o direito de participarem do processo eles deveriam ter.

Gerente de comunicação da Zifa, Xolisani Gwesela afirmou à BBC que a federação do país irá apelar contra a decisão. “Já começamos a entrar em contato com autoridades em Zurique. Você pode apelar em qualquer processo. Só porque uma decisão foi declarada, não significa que a porta tenha sido fechada”, afirmou.

A crise financeira vivida pelo futebol do país levou a Zifa a, recentemente, leiloar alguns bens de seu centro de treinamento, que, aliás, teve sua construção financiada pela Fifa. A tolerância da entidade máxima do futebol deveria ser maior, e um acordo factível, alcançado entre todas as partes, afinal Valinhos precisa receber. Mas há caminhos melhores do que a simples eliminação, que apenas cria mais um problema.