A escolha pelo Catar como sede da Copa do Mundo de 2022 foi contestada. Denúncias sobre suborno na votação foram feitas, um relatório extenso de investigação, produzido e não divulgado, as condições dos trabalhadores estrangeiros nas obras, questionadas. E o que fazer em relação ao calor absurdona época em que o torneio tradicionalmente é realizado? O impacto sobre o calendário europeu no caso de a realização ser mesmo no fim do ano também foi um problema sobre o qual muito foi falado. Nada disso, no entanto, fez o processo se reverter. Nesta quinta-feira, o Mundial de 2022 no país ganhou ainda mais força com a confirmação de que a competição ocorrerá entre novembro e dezembro, com a data da final da decisão para 18 de dezembro.

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Havia sempre aquela impressão de que, ao longo do caminho, algo apareceria para, sem contestações, retirar do Catar o direito de sediar a Copa. Todos os itens elencados acima, em nossa cabeça, parecem ser suficientes para que isso acontecesse, mas o Mundial de 2022 resistiu firme e forte a cada um deles. Havia, sobretudo, a impressão de que a Uefa e os times europeus bateriam o pé e se recusariam a ter seu calendário prejudicado por uma Copa no meio da temporada de clubes, mas a entidade se calou.

“A Uefa acredita que, para benefício dos jogadores e torcedores, o evento deveria ser disputado no inverno e agora espera a decisão final da reunião do Comitê Executivo da Fifa. A Uefa não vê grandes problemas em reagendar suas competições para a temporada 2022/23, se a proposta da Copa do Mundo Fifa 2022 for aprovada pelo Comitê Executivo da Fifa e a Uefa entende que a competição deveria ser encurtada e assim o período que os jogadores são liberados é reduzido”, dizia o comunicado da Uefa divulgado há um mês.

Walter De Gregorio, diretor de comunicação da Fifa, demonstrou seu contentamento ao confirmar a decisão da entidade máxima do futebol. “Para nós, isso é um passo importante. Finalmente sabemos quando será o fim do torneio. Será em um domingo e, a propósito, é o dia nacional no Catar, então encaixa perfeitamente”, comentou. Ainda teve bom humor suficiente para fazer uma piadinha ao término de sua conversa com o veículo inglês: “E você ainda tem tempo de sobra para fazer suas compras de natal”.

Não é segredo que Blatter não é o maior fã do Catar como sede para o Mundial de 2022. No entanto, esforçar-se para tirar do país a escolha seria admitir uma derrota: a de que o sistema de votação da entidade que ele preside é falho, e isso seria muito utilizado por seus concorrentes na eleição marcada para maio deste ano. O consenso era de que se fosse para o suíço tirar do país a sede, isso aconteceria após a eleição. Entretanto, com essa confirmação de data do Mundial pouco antes do processo eleitoral, a impressão é de que isso talvez não faça mais parte da agenda do presidente.

Como ainda faltam sete anos para a realização da Copa de 2022, não dá para cravar com 100% de certeza que o Catar será, mesmo, o país-sede. É tempo demais para que outras besteiras sejam feitas, denúncias novas apareçam e cenários políticos diferentes surjam. No entanto, de acordo com o que já aconteceu até agora, o Mundial no país nunca esteve tão sedimentado como agora, com data final e tudo. É duro, mas temos que começar a nos acostumar com o fato de que o processo de escolha, tão escuso desde seu início, talvez seja irreversível.