A Fifa confirmou que, a partir de 2023, a Copa do Mundo Feminina passará a contar com 32 seleções. A expansão do torneio não é exatamente uma novidade, diante das conversas que rondavam a entidade. O sucesso da última edição do Mundial deu confiança para o aumento – que, principalmente, corresponde a interesses econômicos e políticos da federação internacional. Porém, a mudança se torna questionável quando um dos pontos fortes da Copa de 2019 foi justamente o seu ótimo nível técnico desde a fase de grupos.

O conselho da Fifa tomou a decisão de maneira unânime. Até o momento, ainda não foi definido o país-sede da Copa de 2023. As propostas devem ser enviadas a partir de outubro e os interessados já terão que considerar a expansão para planejar as cidades disponíveis ao evento. A escolha acontecerá em maio de 2020. No momento, há a expectativa de nove candidaturas, entre elas a do Brasil.

Se a Copa do Mundo Masculina teve quatro edições com 24 seleções, de 1982 a 1994, a Copa do Mundo Feminina realizou o aumento após apenas duas edições. Não se nega que a expansão abre as portas ao desenvolvimento de outras seleções periféricas e permite a manutenção de forças. O xis da questão está sobre o momento em que a escolha é tomada. A Fifa poderia muito bem esperar a afirmação do Mundial com 24 times em 2023. Arrisca um passo que também necessitará da evolução em outros centros.

O futebol feminino se concentra na Europa, onde há uma expansão notável pela profissionalização de várias ligas nacionais, assim como na América do Norte e no Extremo Oriente, outros redutos tradicionais. A expansão feita pela Fifa não deve vir sozinha – ou ao menos não deveria. É importante que a entidade invista na modalidade em outros centros, sobretudo na América Latina, na África e na Ásia. De certa maneira, o crescimento da Copa do Mundo Masculina foi um processo complementar ao fomento realizado em diferentes continentes. Neste ponto, é um exemplo a se seguir.

Culturalmente, o aumento da Copa do Mundo Feminina tem as suas vantagens. Poderá ajudar a penetração do esporte entre as mulheres de mais países e, sobretudo, em diferentes regiões. A absorção de certos países pode até auxiliar a quebrar paradigmas ao redor da própria prática feminina, especialmente em rincões como o Oriente Médio. Mas isso também pode ter um custo técnico, com mais times servindo de meros sparrings. A qualidade do espetáculo também conta para impulsionar o certame, como bem se viu no Mundial de 2019.