Num futebol que busca novos horizontes ao seu negócio, a China é uma fronteira óbvia para se fazer dinheiro. Nesta quinta-feira, a Fifa confirmou a realização do novo Mundial de Clubes no país. A competição, que passará a contar com 24 times, ocupará o lugar da Copa das Confederações no calendário e será realizada pela primeira vez a partir de junho de 2021. Durante o anúncio, em conselho da confederação em Xangai, o presidente Gianni Infantino apontou a importância que seu novo torneio pretende possuir.

“É uma decisão histórica para o futebol. O novo Mundial será uma competição que toda pessoa que ama futebol está ansioso por ver. Será a primeira Copa do Mundo real e verdadeira, onde os melhores times competirão”, ressaltou o dirigente, num discurso que coloca o antigo formato do Mundial em um patamar menor e também parece vislumbrar a competição acima da Champions League.

A escolha da China aconteceu de maneira unânime pelo Conselho da Fifa. A entidade havia confirmado a criação da nova competição em março, com a participação de 24 equipes ao redor do globo. O sistema de classificação terminou sob a incumbência das seis confederações regionais. A Conmebol deve definir os seus primeiros representantes nas próximas semanas, sob a intenção de conceder vagas aos campeões da Libertadores e da Sul-Americana. A distribuição das vagas na América do Sul ainda será discutida no congresso da entidade local, marcado para o próximo dia 8.

O novo Mundial de Clubes, obviamente, também terá os seus impasses. A Associação Europeia de Clubes (ECA) se manifestou contra a competição, em março, preocupada com a maneira como o novo evento afetará o calendário previamente estabelecido até 2024. Há mesmo uma ameaça de boicote dos europeus, à qual Infantino pretende responder com polpudas premiações aos participantes de seu torneio. O debate deve se alongar durante os próximos meses.

Além disso, a escolha da China foi criticada pela Anistia Internacional, por conta das violações aos direitos humanos no país. Nada que costume servir de empecilho à Fifa, entretanto. As duas próximas edições do Mundial de Clubes, as últimas no formato atual, acontecerão no Catar, em dezembro de 2019 e dezembro de 2020.

“A escolha da China oferece a Pequim outra oportunidade de ‘lavar com o esporte’ sua manchada reputação internacional. É provável que as autoridades chinesas vejam a competição como uma oportunidade de projetar uma imagem de abertura e tolerância, enquanto a realidade muito mais sombria no país é de censura, prisões de dissidentes e as chocantes detenções em massa em Xinjiang. A China tem um histórico atroz de direitos humanos e a Fifa precisa usar sua influência para forçar melhorias nos direitos humanos do país. Qualquer clube envolvido no Mundial deve estar pronto a falar sobre questões de direitos humanos na China”, declarou Allan Hogarth, chefe da Anistia Internacional no Reino Unido.

Nesta quinta, o Conselho da Fifa ainda realizou outros anúncios importantes. A entidade escolheu a Indonésia para receber o Mundial Sub-20 de 2021, enquanto o Peru recobrou o direito de realizar o Mundial Sub-17, agora remarcado para 2021. Já a escolha da sede da Copa do Mundo de 2030 ficou agendada para 2024.

A entidade também aprovou um pacote de mudanças no sistema internacional de transferências, com um teto às comissões dos empresários e limitações aos números de empréstimos. Por fim, a novidade mais importante está no investimento de US$1 bilhão no futebol feminino até 2022, dobrando o valor anteriormente acordado pela Fifa.