A venda de direitos de TV do Campeonato Espanhol é fruto de discussão há tempos e uma divisão mais igualitária é o pedido mais recorrente entre os clubes, exceto por Real Madrid e Barcelona. Uma das formas de tentar fazer isso é uma regulamentação através de lei, que o Conselho Superior de Esporte (CSD) está fazendo. O problema é que a Federação Espanhola (REFE) e a Fifa consideram que isto como interferência e, assim, a entidade ameaça punir a Espanha caso continue.

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Ángel María Villar, presidente da RFEF, acha que o Consejo Superior de Deportes (CSD), que tem discutido a criação de uma lei para determinar como será a venda coletiva dos direitos de TV, interveio demais. Opinião compartilhada com a do secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, que já enviou notificações à RFEF sobre informações que viram nos meios de comunicações sobre esse assunto.

Villar quer que a Fifa intervenha, embora haja um acordo entre Miguel Cardenal, secretário de esportes do governo, e Javier Tebas, o presidente da Liga Prefesional de Fútbol (LFP), para uma venda coletiva dos direitos de TV que seria convertida em lei. Villar é inimigo político de Tebas e acredita que Cardenal passou por cima da Federação Espanhola para negociar com a LFP.

Dirigentes da LFP próximos a Tebas disseram ao jornal El País que Villar quer apenas aumentar as receitas de federação com o repasse que a entidade recebe pelos direitos de TV. Cardenal teria dito a Villar que repassaria 2% do valor do contrato, que se espera que chegue a € 1 bilhão. Eis aí o problema: atualmente, a Federação Espanhola recebe 4% e a diminuição do valor proposta por Cardenas deixou Villar “ultrajado”. O problema ainda vai além. Cardenas quer diminuir também os subsídios que o futebol recebe da loteria (que chega a € 3 milhões). Villar, evidentemente, não quer que isso aconteça.

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O conflito está posto. O ano é eleitoral na Espanha e o atual primeiro-ministro, Mariano Rajoy, quer se reeleger. Seu secretário de esportes, Miguel Cardenal tem atuação forte em assuntos relacionados ao futebol, especialmente o assunto direitos de TV. Ele é um dos que tem defendido e agido para que haja uma divisão mais equânime dos direitos de TV do futebol espanhol.

Villar é aliado de Joseph Blatter e, portanto, tem a Fifa a seu dispor para tentar barrar, através dela, as mudanças que o governo de Mariano Rajoy e do secretário Miguel Cardenas querem impor ao futebol. Os clubes querem mudanças, é claro. O Barcelona ameaça negociar sozinho seus direitos de TV, mostrando toda a sua insatisfação – atualmente, Real Madrid e Barcelona ficam com cerca de 40% do total dos direitos pagos pelo Espanhol.

A Fifa, que deveria zelar pelo melhor do esporte que gere, parece mais disposta a trabalhar apenas por suas aliados, mesmo que estes, como parece ser o caso de Villar, queiram apenas benefícios próprios. A divisão dos direitos de TV é sim uma questão importante. O governo intervir com uma lei para que isso aconteça é discutível e é até justificável que se ache que é uma intervenção indevida. Mas se isso for feito com o consentimento dos clubes e da liga, não parece que a Fifa deveria intervir. Mesmo que isso afete, financeiramente, a RFEF presidida por Villar.