A Fifa deu uma boa notícia nesta terça-feira, dia 9, um documento que mostra a estratégia global da entidade para fomentar e desenvolver o futebol feminino no mundo. A entidade diz que irá trabalhar com as federações associadas, os clubes, as jogadoras, a imprensa e outras partes interessadas para realizar todo o potencial que existe no futebol feminino. As palavras são bonitas, mas é sempre para ficar com um pé atrás quando se trata da Fifa, mas o documento é algo importante pensando no longo prazo.

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É importante lembrar que o futebol feminino é muito recente, se pensarmos na história de mais de 150 anos do futebol. A primeira Copa do Mundo feminina aconteceu apenas em 1991, enquanto a masculina teve a sua primeira edição em 1930. Em 2002, a Fifa iniciou o Mundial sub-20 feminino e em 2008 começou a fazer o Mundial sub-17. Há conquistas importantes acontecendo ao longo desse tempo. A final da última Copa do Mundo, em 2015, entre Estados Unidos e Japão, no Canadá, foi a partida de futebol mais assistida da história nos Estados Unidos – incluindo aí o futebol masculino também.

Apesar disso tudo, a Fifa reconhece que há um grande problema quando se trata de futebol de base, em desenvolvimento do esporte. “O sucesso competitivo e comercial fica em grande contraste com os enormes desafios que o jogo enfrenta, assim como seus líderes, quando se trata de futebol de base e desenvolvimento, o que representa o futuro do jogo fora do holofote. Anos de negligência institucional e falta de investimento impediram garotas e mulheres de jogarem o jogo e assumirem papéis técnicos, administrativos e funções de governança”, diz o documento da Fifa.

“A Fifa acredita fortemente que o futebol feminino traz um benefício muito importante para muitas jovens garotas e mulheres envolvidas no jogo: empoderamento. Encorajar o empoderamento através do futebol, crescer o jogo, ter mais garotas envolvidas mais cedo e manter as mulheres no futebol mais tempo são todos elementos chave da Estratégia de Futebol Feminino da Fifa”, afirma o comunicado da entidade que dirige o futebol mundial.

“Como primeira secretária-geral mulher da Fifa, eu estou orgulhosa de lançar a nossa primeira estratégia global para o futebol feminino. O futebol feminino é uma prioridade máxima para a Fifa e com a nossa nova estratégia, nós iremos trabalhar lado a lado com nossas 211 associações membros ao redor do planeta para aumentar a participação do futebol de base, melhorar o valor comercial do jogo feminino e fortalecer as estruturas ao redor do futebol feminino para garantir que tudo que nós fazemos é sustentável e tem resultados fortes. Mais importante, dará o futebol mais acessível a garotas e mulheres e encorajar o empoderamento feminino, um assunto de grande importância, agora mais do que nunca”, diz Fatma Samoura, no comunicado da Fifa.

O documento traz pontos importantes, com a autocrítica, tão necessária para evoluir. “O longo tempo sem mulheres em posições de responsabilidade na comunidade do futebol significa que as vozes foram limitadas para advogar por mudanças. Em 2016, o Congresso da Fifa deu seus primeiros passos para corrigir esse problema ao aprovar algumas decisões marcantes para o futebol feminino e para a representação das mulheres no futebol. Ainda que as mudanças sejam momentâneas, os desafios à frente ainda são grandes e nós temos que continuar a avançar com o momento criado. A Estratégia para o Futebol Feminino da Fifa irá dar força à organização para tomar novas medidas concretas para lidar com as carências históricas de recursos e representação, enquanto defende uma posição global contra a discriminação de gênero por meio do futebol”, diz um trecho do documento.

A ideia da Fifa se baseia em três pilares, portanto: aumentar a participação do futebol feminino; melhorar o valor comercial; construir as fundações. Esses são os objetivos-chave da Fifa com o seu plano estratégico. As ideias colocadas no documento são bastante interessantes para que se crie as condições do futebol feminino ter mais relevância e que tenha um caminho próprio de desenvolvimento. Isso passa desde o fomento ao esporte para crianças, ao desenvolvimento de categorias de base profissionais e com a inclusão de mais mulheres em posição de liderança para que essas questões não passem batidas, como passaram por tantas e tantas décadas.

O futebol feminino tem sim problemas de estrutura que precisam ser tratados, mas falta à Fifa liderança e ações efetivas para que esse modelo comece a mudar e melhorar. As ações são de longo prazo e precisam de muito trabalho e investimento. A Fifa tem os recursos e tem capacidade para atrair as mulheres capacitadas – incluindo aí ter uma formação de mulheres estruturada para isso, ter mais mulheres em posições de serem ouvidas e atendidas, especialmente.

Ainda é mais uma carta de intenções. Veremos se daqui a algum tempo veremos os primeiros resultados disso ao longo do tempo. Esperamos que seja a pedra fundamental de algo que torne o futebol feminino mais atraente. Sabemos que a Fifa faz de tudo para tornar as suas competições relevantes e intensamente transmitidas ao redor do mundo. É importante que o fomento aconteça para o futebol feminino se desenvolva.

Quem quiser pode olhar com calma o documento divulgado pela Fifa:

Estratégia Global para o Futebol Feminino da Fifa