Tite realizou a primeira convocação no novo ciclo da seleção brasileira em 17 de agosto. Um dia depois, o Napoli estreava na Serie A e Allan tinha uma ótima atuação para ajudar os celestes na virada por 2 a 1 sobre a Lazio. Uma semana depois, o brasileiro seria realmente espetacular em outra reação emocionante dos napolitanos, no triunfo por 3 a 2 sobre o Milan. Permitia lamentar ainda mais sua ausência nos amistosos contra Estados Unidos e El Salvador, mas também fazia crer que o chamado logo viria. Pois nesta sexta-feira, o volante se torna a maior ausência na nova lista de Tite. Nada de reconhecimento, mesmo depois das declarações na qual o meio-campista botava a equipe nacional como o principal objetivo de sua carreira.

Allan merece ao menos a observação na Seleção há tempos. O meio-campista está entre as peças principais do Napoli há três temporadas, virando um dos homens de confiança de Maurizio Sarri. Seu trabalho na faixa central foi uma das principais razões para a campanha histórica na Serie A passada. Ainda assim, passava batido por Tite. O treinador tinha como álibi manter o grupo fechado, diante das escolhas que havia realizado para o setor anteriormente. Mas não se nega que o celeste acabou fazendo falta na Copa do Mundo. Seria muito bem-vindo entre as lesões de Fred e Renato Augusto, bem como as atuações ruins de Paulinho. Via tudo de casa, assim como outros que poderiam ter sido úteis naquela função, como Arthur e Fabinho.

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O novo ciclo começou e, afinal, ressurgiam as expectativas de que Allan pudesse ganhar a convocação. Esquecido na primeira lista? Tudo bem, mas o início da temporada estaria aí para justificar a chance na próxima oportunidade. Tite não o fez. Aposta em Arthur e Fred, algo compreensível neste momento. Mas também insiste em Renato Augusto, que tem talento e foi importante nos últimos anos, mas já mostrou tudo o que tem para oferecer. E se olha alguém novo, este é Walace, que possui potencial como reserva de Casemiro, mas vivia às turras no rebaixado Hamburgo e só agora começa (bem, é verdade) sua trajetória no Hannover 96.

Allan não seria o cara para fazer sombra a Casemiro. Também possui características diferentes que Arthur e Fred. Poderia muito bem formar o meio-campo com mais um ou dois deles, graças à sua dinâmica de preencher os espaços e contribuir com um alto nível de intensidade. É um volante que se empenha na proteção, desarma bem, joga com a bola no chão, auxilia na criação e também aparece para finalizar. Alguém que fez falta em momentos importantes da Seleção na Copa do Mundo. E não vale nem dizer que “falta encaixe”, porque um dos problemas do time anda sendo justamente a limitação nas variações. O celeste poderia ser um desses caras, agora aprendendo um pouco mais com Carlo Ancelotti – treinador que Tite aponta como sua maior inspiração.

Inclusive, Allan possui rodagem com boa parte do grupo de convocados. Nas seleções de base, ele fazia parte da mesma geração de Neymar, Philippe Coutinho e companhia, reserva na conquista do Mundial Sub-20 de 2011. Desde então, não foi mais chamado. E que tenha demorado um pouco mais para se desenvolver no Vasco, sempre dava indícios de que poderia se tornar um bom jogador, algo ratificado na Udinese. O Napoli foi a oportunidade de se inserir de vez entre os melhores meio-campistas da Serie A. Mas por algum motivo que foge à compreensão geral, não ainda para a Seleção, mesmo reiterando seu esforço para isso.

Há outros nomes ausentes que poderiam ser comentados, como David Neres e Lucas Moura, até porque não faz qualquer sentido levar Neymar e companhia para um período de transição. Que a Argentina esteja pela frente, a última Data Fifa deixou bem clara a inutilidade de manter algumas estrelas garantidas na sequência e pouco interessadas nestes compromissos para encher linguiça. Mas estarão presentes, em partidas nas quais parecem só aumentar o desgaste de uma relação de confiança que se perdeu durante a Copa do Mundo.

Além do mais, seria bom ter em mente outros episódios que aconteceram recentemente com jogadores da Seleção, enfadados com a falta de espaço, que passaram a defender outros países. Allan reiterou publicamente o seu desejo, mas não se sabe o dia de amanhã e nem seria problema caso ele mudasse de ideia. Aos 27 anos, possui capacidade de ser útil por um tempo na equipe nacional. E não dá para entender o porquê de já não poder ser.