O Eintracht Frankfurt protagoniza uma das melhores histórias da Liga Europa não apenas por aquilo que produz em campo. O time permanece invicto na campanha e conquistou uma classificação indiscutível nos 16-avos de final, ao golear o Shakhtar Donetsk por 4 a 1 na Commerzbank Arena. Mais do que isso, a SGE também escancara na competição continental a paixão de seus torcedores. Os fanáticos pelas Águias criam atmosferas fantásticas a cada jogo em casa e não medem esforços (muito menos distâncias) para acompanhar a equipe de maneira massiva nos compromissos fora. E uma das marcas desta epopeia são os mosaicos. Ou eram. Depois de coreografias realizadas em todos os três duelos na fase de grupos, desta vez os alemães foram impedidos por uma ação controversa da polícia. Protestaram, mas também não deixaram de apoiar com seus cânticos e suas bandeiras.

O entrave com a polícia aconteceu horas antes do jogo contra o Shakhtar, quando a torcida já preparava o mosaico. Os policiais confiscaram um bandeirão, o que gerou uma briga generalizada entre os torcedores e os agentes. Segundo as autoridades, o bandeirão foi apreendido por possuir “conteúdo ofensivo”, com insultos. Diante do empecilho, os ultras resolveram cancelar a ação preparada. Os papéis metálicos, que seriam erguidos na coreografia, acabaram descartados e se acumularam na beira do gramado.

A bandeira teria referências a Peter Beuth, ministro do interior de Hesse, o estado onde está localizada a cidade de Frankfurt. O político havia pedido publicamente a prisão de torcedores pelo uso de sinalizadores e criticou a curva do Eintracht. A resposta dos ultras ao conflito viria na coreografia. Representante dos torcedores do Eintracht Frankfurt, Ina Kobuschinski contestou a polícia. Ela declarou que, de fato, havia uma mensagem a Peter Beuth no bandeirão. Contudo, não existiriam insultos no material confiscado.

As tensões com as autoridades em Frankfurt se prolongavam ao longo da semana, aliás. Em um vídeo divulgado às vésperas do jogo, o presidente do clube pedia à torcida que fizesse “o estádio queimar”. A polícia resolveu repreender a manifestação e aplicou um controle severo sobre a torcida, principalmente para impedir o uso de sinalizadores. Artefatos foram apreendidos e, por conta do rigor das autoridades, o mosaico preparado teve que ser repensado. Até que a gota d’água acontecesse nesta quinta.

Em comunicado oficial, a torcida declarou que cancelou o mosaico para se manter independente. Apontou que o estádio ficou “sujo” para deixar clara a interferência da polícia. Enquanto isso, o chefe-executivo do clube questionou se a mera manifestação do presidente representaria um “risco à segurança”, como foi alegado para justificar a postura dos policiais. A maior resposta dos torcedores do Eintracht Frankfurt, de qualquer maneira, seria mesmo na voz. Apoiaram o time ao longo dos 90 minutos e puderam comemorar a classificação às oitavas de final do torneio continental. Obviamente, também atacaram a polícia gritando “todos os policiais são bastardos” (uma frase comum em estádios pelo mundo) e também puderam ser vistas camisetas com a mensagem “vai se foder, Beuth”. Ao que parece, a queda de braço ainda se prolongará.