Festa e convivência, apesar do caos: O dérbi de Bagdá deixou uma porção de imagens marcantes

O estádio superlotado e o jogo intenso não foi pretexto para que a violência se rompesse entre as torcidas, apesar da propensão a uma tragédia

O Campeonato Iraquiano viveu o seu maior clássico na última sexta-feira. Al-Quwa Al-Jawiya e Al-Zawra’a são os dois clubes mais vitoriosos do país e estão entre os mais populares. Algo irrefutável, diante do que se viu no Estádio Al-Sha’ab, com capacidade para 50 mil espectadores. As arquibancadas abarrotadas não foram suficientes para o chamado ‘El Clasico de Bagdá’, com milhares de torcedores tomando também a pista de atletismo à beira do campo. Diante da superlotação, a segurança precisou ser reforçada. Mas, apesar da desorganização evidente, os presentes só não se contiveram pelo excesso de empolgação, em meio à euforia pelo grande jogo. Ao final, prevaleceu o empate por 1 a 1 e, ainda bem, a paz.

Os gols saíram apenas no segundo tempo, em 15 minutos finais de tirar o fôlego. O Zawra’a abriu o placar aos 33, com o capitão Ala’a Abdul Zahra, bem diante do setor onde estava a sua torcida. A equipe poderia ter ampliado pouco depois, com um pênalti marcado a seu favor, mas o goleiro Fahad Talib defendeu a cobrança. Já na sequência, Al-Quwa Al-Jawiya conseguiu emendar um ataque rápido. A bola sobrou na área para Amjad Radhi, que bateu no alto, decretando o empate. A partir de então, as cenas de loucura vieram à tona, com a comemoração intensa dos jogadores à beira do campo, junto com a torcida. Algumas invasões até aconteceram em meio ao êxtase, mas nada fora do comum.

Obviamente, a falta de segurança no clássico foi motivo de debate no Iraque. O próprio Ministério dos Esportes se manifestou sobre a falta de organização, que poderia ter resultado em consequências dramáticas. A federação iraquiana informou que, apesar da apreensão e do medo, nenhum incidente grave foi registrado. Muitas pessoas pularam os muros para entrar nas arquibancadas. Diante da multidão nos arredores do estádio, a entidade preferiu abrir os portões e evitar uma tragédia – como a ocorrida no mesmo dia, em Angola, com 17 mortes e dezenas de feridos. “Aplaudimos os esforços das forças de segurança, da administração do estádio e dos torcedores, mantendo a calma. Mas isso não pode fazer com que percamos de vista os aspectos regulatórios, incluindo a venda de ingressos de acordo com a capacidade do estádio”, declarou Musa Faleh, membro da federação local

No fim das contas, muitos torcedores sequer puderam assistir ao jogo, com a visão obstruída nas arquibancadas ou na pista de atletismo. Estiveram lá apenas pelo ambiente, para participar da atmosfera. E, mesmo com todas as falhas evidentes, que felizmente não resultaram em um desastre, vale salientar a postura dos iraquianos. O caos ou a emoção não levou à intolerância ou à violência. A boa convivência entre as torcidas no mesmo espaço prevaleceu. Afinal, a paz nos estádios não depende apenas do controle de quem cuida da organização, mas também do respeito de quem faz o esporte ser o que ele é nas arquibancadas. Em um país tão marcado pelas tragédias e pelas guerras, seu povo soube valorizar a festa que o futebol representa.

As fotografias são do Ultras-Tifo.net:

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