Fernández não emplacou ao sair do Guaraní, mas voltou a tempo de se repetir como carrasco do Corinthians

A Libertadores de 2012 possui um lugar imaculado na história do Corinthians. Porém, futebol também se constrói com a sucessão de feitos e, desde então, os alvinegros voltaram a viver no torneio continental um purgatório. São cinco aparições a partir de 2013 e cinco eliminações relativamente precoces – as quatro anteriores nas oitavas de final. O filme do Guaraní se repetiu nesta quarta, agora na fase preliminar, ainda que os corintianos não tenham sido apáticos como no duelo de cinco anos atrás. E, como uma traquinagem irremediável do destino, até o carrasco não era novo. Fernando Fernández foi e voltou dos aurinegros, para duas vezes provocar a decepção em Itaquera.

Formado pelo próprio Guaraní, Fernández era uma das alternativas no bom time montado pelos aborígenes em 2015. O jovem de 23 anos costumava entrar no segundo tempo das partidas naquela Libertadores, para dar um gás a mais no 5-4-1 de Fernando Jubero. O atacante se revezava com Federico Santander e, no lugar do centroavante, participou dos minutos finais em ambos os duelos nas oitavas de final contra o Corinthians. Em Itaquera, “Queso” Fernández entrou apenas aos 43 do segundo tempo. Mas, contra um adversário entregue após duas expulsões e uma situação dificílima de reverter, ficou mais fácil de matar o confronto com o gol nos acréscimos.

Fernández ainda teria bons momentos nas fases seguintes da Libertadores de 2015. Ajudou a eliminar o Racing, saindo do banco na decisiva vitória por 1 a 0 dentro do Defensores del Chaco, definida por Julián Benítez. E até ofereceu certas esperanças na volta contra o River Plate. Após os 2 a 0 sofridos no Monumental, o atacante abriu o placar em Assunção, por mais que o Guaraní tenha cedido o empate que o eliminou. As boas aparições no torneio continental deram visibilidade ao jovem. Garantiam mais peso aos seus ótimos números pelo Campeonato Paraguaio, autor de 57 gols em 82 jogos pela liga entre 2014 e 2015.

A primeira tentativa no exterior aconteceu no México, com o Tigres. Não deu certo. Fernández voltaria ao Paraguai para defender o Olimpia em 2017, mas também teve pouco espaço na linha de frente com Roque Santa Cruz. Passou brevemente pelo América de Cali, antes de recuperar um pouco de sua fome de gols com o Atlante, na segundona mexicana. De qualquer maneira, o Guaraní é mesmo sua casa e a retomada com a camisa aurinegra desde 2019 vem sendo positiva. Durante o último Clausura, Queso Fernández assinalou oito gols. E o ano começa ainda melhor ao atacante.

Na fase anterior da Libertadores, Fernández deixou seu gol no massacre contra o San José de Oruro em Assunção. O Apertura do Paraguaio também se inicia promissor o suficiente, com direito a dois gols no finalzinho para determinar os 4 a 2 sobre o tetracampeão Olimpia. Já nesta quarta, o reencontro com o Corinthians. Não foi a partida ofensivamente mais brilhante do Guaraní, longe disso. Mesmo com a vantagem numérica, os aborígenes tiveram problemas para se impor no ataque. Contudo, o camisa 9 representou o maior perigo.

Durante o primeiro tempo, Fernández teve um chute travado por Pedro Henrique dentro da área e também exigiu uma boa defesa de Cássio, após cabeçada. Já na etapa final, quando o Guaraní ganhou a falta discutida pelos corintianos na frente da área, coube ao atacante chamar a responsabilidade e resolver a parada. Cássio poderia ter feito melhor no lance, mas o camisa 9 também possui seus méritos ao arriscar a batida no canto do goleiro e acertar um petardo rumo às redes. Definiu a classificação ali.

Fernández deixou o campo no fim do jogo, para a entrada do veterano Edgar Benítez. O Guaraní possui boas opções à sua linha de frente, também com o rodado Raúl Bobadilla, por mais que essa força não tenha sido aproveitada tão bem em Itaquera. Fato é que, mesmo com todos os apuros, os aurinegros fizeram o suficiente para assegurar a classificação com o gol fora de casa. Para infligir o amargor sobre o Corinthians pela segunda vez.

Aos 28 anos, a perspectiva de Fernández é essa: fazer sucesso no futebol paraguaio, ter a chance de aparecer na Libertadores e, quem sabe, descolar uma boquinha na enfraquecida seleção de seu país. Em tempos de destaque aos atacantes no futebol local, dá para ganhar notoriedade com a camisa do Guaraní, candidato a destronar o Olimpia neste Apertura. E a marca na torcida do Corinthians também ficará. Carrasco por duas vezes, El Queso tem mais nome em Itaquera do que em qualquer outro lugar das Américas.