Boa parte dos esforços no Reino Unido durante o combate à pandemia se concentra, por tabela, no apoio ao NHS. O sistema nacional de saúde britânico surgiu em 1948 e oferece assistência médica gratuita à população. Há críticas sobre a queda de investimento e de qualidade nos serviços prestados pelo NHS durante os últimos anos, mas a situação emergencial reforça a importância da estrutura no tratamento a todos. E, entre as vozes que exaltam a instituição, está a de Sir Alex Ferguson, que creditou ao sistema público sua recuperação após sofrer uma hemorragia cerebral há dois anos.

“Estou muito feliz por reconhecerem a importância do nosso NHS, como experimentei há dois anos, quando salvaram minha vida. A resposta à pandemia tem sido magnífica. Sinto orgulho pela maneira como o clube e a população britânica uniram-se para ajudar. Muito bem”, afirmou Ferguson. Em maio de 2018, o ex-treinador precisou ser submetido a uma cirurgia de emergência no NHS e passou as semanas seguintes em recuperação. Em setembro do mesmo ano, estava são e de volta a Old Trafford para acompanhar os Red Devils.

Apesar das críticas (com razão) à diretoria do Manchester United por sua gestão no futebol, o clube merece elogios por sua postura durante a pandemia. O depoimento de Ferguson veio na esteira de uma série de ações encabeçadas pelos mancunianos no apoio ao NHS. O clube colocou 16 veículos de sua fundação à disposição do sistema nacional de saúde, bem como doou uma série de equipamentos médicos a um hospital local – incluindo material de proteção, roupas e outros itens. Além do mais, para agradecer os profissionais de diferentes áreas que atuam em hospitais, o United endereçou 3,5 mil presentes a esses trabalhadores.

“Um enorme agradecimento meu, de toda a Northern Care Alliance e, em particular, do nosso Hospital Salford Royal, que está muito agradecido pela generosa doação. Essa oferta foi um enorme impulso ao moral de nossos trabalhadores neste momento difícil”, declarou Raj Jain, chefe-executivo do NHS na região. Já o técnico Ole Gunnar Solskjaer ressaltou que o “clube permanece pronto para atender mais solicitações do NHS”.

Old Trafford também será usado para auxiliar a população local. O United ofereceu o estádio para ser transformado em um centro de doação de sangue, diante da queda dos estoques durante a pandemia. As instalações ainda servirão de depósito a bancos de alimentos de Manchester, com a doação de 30 mil itens perecíveis que estavam estocados no estádio – como comidas e bebidas vendidas em dias de jogo.

Diferentemente de outros times da Premier League, o Manchester United se comprometeu a pagar integralmente seus funcionários durante a suspensão das atividades. Além disso, o clube encorajou os trabalhadores que reduziram suas horas de trabalho para se voluntariarem no apoio ao NHS. A atitude é tão exemplar quanto o reconhecimento oferecido pelos Red Devils.