É de uma grandiosidade imensa saber que no universo de egos que é o futebol, há quem olhe para além do próprio umbigo e das quatro linhas. Ainda mais quando se trata de jogadores que não têm mais nada a provar para o mundo em campo e reconhecem que o esporte é uma das melhores ferramentas para zelar por assuntos sociais. E foi com esse olhar humano e altruísta que Rio Ferdinand, Mark Noble e Bobby Zamora arquitetaram um projeto voltado para pessoas de baixo poder aquisitivo, o qual, agora, sai do papel e se encaminha para sua concretização.

LEIA MAIS: Ferdinand retribuirá à sociedade com a construção de mais de mil casas populares na Inglaterra

De acordo com o The Guardian, a iniciativa do trio formado nas categorias de base do West Ham se resume em atenuar as críticas condições habitacionais que assolam a Inglaterra há anos. Pensando nas pessoas de situação financeira vulnerável (ou sem renda), na falta de moradias populares e , consequentemente, na crise de habitação, os jogadores planejaram financiar a construção de milhares de casas a preços acessíveis em todo o país, as quais vão contar com academias onde eles irão estimular práticas esportivas oferecendo treinamento para jovens.

Esse esquema é apenas uma parte das propostas da Legacy, instituição de caridade fundada pelos atletas ano passado e que visa a construção de uma série de habitações sociais e rentáveis, a qual é amparada financeiramente por investidores privados. E a primeira etapa do programa está próxima de ser executada, que é a obra de 1,3 mil moradias para a comunidade de Houghton Regis, no condado de Bedfordshire. “A princípio, estávamos pensando em 20 ou 30 casas, mas nós percebemos que isso não faria a diferença para ninguém, e nós queremos fazer diferença nessa questão de habitação”, comentou Noble.

Além da construção de instalações que possam fomentar atividades esportivas, como quadras e ginásios, creches, estúdios de arte e áreas de lazer com piscina também estão inclusas nos projetos iniciais. O trio também pensa em, futuramente, incluir centros de saúde nas habitações. Mas a prioridade, por ora, é dar uma cara esportiva ao empreendimento, que não vai contar apenas com atividades relacionadas ao futebol, mas também com hóquei e netball (esporte muito praticado nos países da Commonwealth e que se assemelha ao basquete).

Ferdinand, Noble e Zamora pretendem investir, cada vez mais, parte de suas fortunas no projeto. Eles preveem que, pelo menos, £ 300 mil sejam injetadas por cada um anualmente para bancar os custos de gestão e os salários dos líderes comunitários. “Queremos criar algo especial. Quando criança, tive que me mudar sete vezes, em quatro anos, de habitação social no leste de Londres. Tanto eu quanto Ferdinand e Zamora sabemos o que essas pessoas menos afortunadas sentem. Estamos acostumados a ver os sinais dos “jogos sem bola” em todos os lugares”, falou ainda o capitão dos Hammers.

Já são exemplares jogadores e ex-atletas que apoiam projetos e causas sociais. Agora quando eles abrem mão de algumas cifras em suas contas e mexem no próprio bolso para financiar esquemas de caridade idealizados por eles mesmos, é algo mais do que elogiável. Isso quer dizer que condições que não pertencem às suas realidades (no caso de Ferdinand, Noble e Zamora, não mais), de alguma forma, os incomodam a ponto de se mobilizarem em busca de mudanças para a sociedade. E não há nada mais generoso do que atitudes como essa.

Chamada Trivela FC 640X63