O Manchester United optou pela emoção no mercado de transferências. Nos últimos instantes, enfim, os Red Devils confirmaram seu sonhado meio-campista central. Marouane Fellaini parecia uma opção certeira em Old Trafford, mas David Moyes demorou a convencer seus antigos patrões do Everton. Já com a janela encerrada, o belga foi confirmado como principal reforço do United, o que não apaga as falhas dos dirigentes em sua atuação no mercado de transferências.

Desde o final da temporada passada a diretoria sabia que a grande e única necessidade do clube era um meia que atuasse ao lado de Michael Carrick, diante da aposentadoria de Paul Scholes, da doença de Darren Fletcher e da irregularidade de Tom Cleverley. O alvo principal era Cesc Fàbregas, sem sucesso. O Real Madrid também disse não à aproximação por Luka Modric. Ander Herrera era outro nos planos, mas a recusa do Athletic Bilbao em liberá-lo e a altíssima multa rescisória de € 36 milhões culminaram na desistência – os homens que apareceram na sede da liga espanhola se dizendo representantes dos Red Devils nesta segunda, na verdade, eram impostores.

Por fim, veio Fellaini, um tiro praticamente certo. O volante já tinha anunciado sua intenção em sair desde o início da temporada passada e bastava ao United se aproximar dos € 33 milhões almejados pelo Everton para levá-lo. Moyes ainda tentou pagar mais barato, levar Leighton Baines no pacote, mas não conseguiu amolecer os Toffees. Teve que desembolsar mesmo o alto valor, sem o lateral na companhia – que, por sinal, nem de longe era uma necessidade. Muito pouco para o poderio do clube e por tudo o que apontou o diretor Ed Woodward, um dos principais responsáveis pelo fracasso.

Para o Everton, a perda de Fellaini promete não ser tão sentida assim. O volante era um dos principais jogadores do time, mas Roberto Martínez trouxe um substituto à altura com a transferência do promissor James McCarthy, ex-Wigan. E os Toffees sobem ainda mais de patamar com as chegadas de Gareth Barry e Romelu Lukaku, por empréstimo. Além, é claro, de Leighton Baines, principal arma ofensiva, que fica em Goodison Park.Marouane Fellaini, do Everton

Enquanto isso, o United traz bons valores, mas as interrogações são maiores do que as certezas. Fellaini é um bom jogador e deve ser o parceiro de Carrick no miolo da cancha. O problema é que o belga não é bem o jogador criativo pretendido pelos Red Devils, como Fàbregas, Modric ou Herrera. Possui ótima imposição física e presença de área, mas não tem tanta criatividade na saída de bola. E, nos primeiros jogos da temporada, ficou claro que a falta de ligação com um ataque será um dos problemas a serem solucionados pelos próximos meses em Old Trafford.

Se substituir Sir Alex Ferguson já era um desafio em tanto para Moyes, gerir o elenco torna seu primeiro ano em Old Trafford ainda mais penoso. Como irá lidar com a insatisfação de Wayne Rooney? Dará chances a Shinji Kagawa, um meia tão criativo quanto os que o clube especulou, mas que continua colocado para escanteio? O escocês assumiu uma equipe forte, campeã com sobras na Premier League, mas pode colocar este legado em risco pela ingerência nesses primeiros meses.