O Palmeiras era muito favorito para avançar às quartas de final da Libertadores, depois de vencer a ida, no Paraguai, por 2 a 0. Era basicamente uma questão de confirmar a vaga diante dos 33 mil torcedores que foram ao Allianz Parque. No entanto, Felipe Melo decidiu atribuir uma emoção desnecessária à partida que se imaginava fria. Foi expulso no terceiro minuto, e os donos da casa precisaram sofrer para se classificar, com a derrota por 1 a 0.

Não foi a primeira vez, desde que chegou ao Palmeiras, que o volante começa a partida com uma entrada entre a dureza e a violência para tentar intimidar o adversário. Não deveria, mas, na maioria das vezes, passa batido porque poucos árbitros têm coragem de puxar o cartão vermelho tão cedo na partida. O argentino Germán Delfino, no entanto, mandou Felipe Melo para o chuveiro por uma solada quase na altura do joelho de Víctor Cáceres.

Evidentemente, a expulsão condicionou o restante da partida de uma maneira drástica. Felipão armou duas linhas de quatro, com Dudu e Willian pelos lados e Borja à frente. Mesmo em jogos normais, este time do Palmeiras não é muito apegado a ter a bola. A dinâmica foi exacerbada, e o adversário terminou a partida com 73% de posse. A sorte palmeirense é que o Cerro Porteño não soube muito bem o que fazer com ela.

Criou duas boas chances no primeiro tempo: um chute para fora de Víctor Cáceres e uma cabeçada de Churín, agarrada por Weverton. No outro lado, o contra-ataque era perigoso. Em um deles, não marcou por tomadas de decisões erradas de seus atacantes. Em outro, Willian bateu de primeira e exigiu uma boa defesa de Antony Silva. Considerando a situação adversa em que estava, a partida estava relativamente controlada para o Palmeiras.

Isso mudou, meio por acaso, aos 11 minutos. Weverton estava posicionado um pouco à frente para cortar o cruzamento de Arzamendia. Mas o centro viajou rente à linha de fundo e pegou a linha certa para morrer nas redes do Palmeiras, o primeiro gol que o time sofreu desde o retorno de Felipão. A partir deste momento, mais próximos do que imaginavam de uma disputa de pênaltis, os palmeirenses perderam o rumo.

Felipão decidiu fechar a casinha cedo demais. Trocou Borja por Thiago Santos, abriu Moisés na direita e adiantou Willian. Perdeu velocidade e arranque para reforçar a marcação, mas ainda faltava meia hora para o fim do jogo – sem contar os acréscimos que chegaram a 11 minutos por motivos que explicaremos daqui a pouco. Era tempo demais para apenas se defender e mesmo uma equipe com recursos técnicos parcos como o Cerro Porteño conseguiria levar perigo.

E conseguiu. Perigo até demais. Chutes de fora da área passaram perto das traves de Weverton, que fez boa defesa em finalização cruzada de Óscar Ruíz. E a pressão apenas crescia. O Palmeiras parou de jogar, e a única resposta foi uma bomba de fora da área de Willian, bem defendida por Antony Silva. O árbitro deu oito minutos de acréscimo por atendimento médico de Jorge Rojas, que se envolveu em uma colisão de cabeça com Borja.

No tempo extra, o Palmeiras fez de tudo para que a bola não rolasse, e nisso, goste ou não da estratégia, Felipão é craque. Gandulas foram expulsos e jogadores estiraram-se no chão, fazendo cera. Quem exagerou na dose foi Deyverson. Aos 47, ele sofreu uma falta dura de Escobar e levantou vibrando em direção à torcida. Em seguida, simulou que levou uma bolada no rosto – que não passou nem perto dele – e, como se estivesse possuído por algum espírito, continuou chamando a torcida.

Os jogadores do Cerro Porteño não gostaram nada dessa postura, e seu representante foi Cáceres, que deu uma ombrada para derrubar Deyverson. O árbitro adotou aquela postura política de expulsar um de cada lado e mandou tanto Cáceres quanto Deyverson para o chuveiro. Além disso, acrescentou três minutos de acréscimo, gastos com inteligência por Dudu, que cresceu naquele momento e soube segurar a bola e gastar tempo até que o apito final chegasse.

As circunstâncias acabaram tornando uma classificação que deveria ser tranquila em outra com contornos heroicos. Mas não deveria ter sido assim. O Palmeiras poderia ter matado o confronto no primeiro tempo e não poderia ter se desestabilizado no segundo tempo. Acima de tudo, Felipe Melo não podia ter deixado seus companheiros na mão, mas essa era apenas uma bomba-relógio esperando para explodir.