Em uma Havana muito quente, o nostálgico detetive Mário Conde, personagem de Leonardo Padura Fuentes, está sempre com amigos do tempo do colégio. O mais chegado é Carlos, o Flaco, paralítico por conta de uma bala na guerra de Angola.

Conversam muito, principalmente sobre os sonhos que não se concretizaram. Conde, por exemplo, sonhava ser escritor. A trilha sonora das conversas é Creedence Clearwater Revival, presente em fitas K-7. E, em pelo menos dois livros, repete-se um diálogo que mostra como Padura é um grande escritor.

Carlos, El Flaco – “John Fogerty canta muito bem.
Mário Conde – “Ele canta como um anjo”
Carlos, El Flaco – “Não, Marito. Ele canta como um negro”.

O estilo rústico, rascante, áspero (adjetivos sugeridos por Márvio dos Anjos) de Fogerty é único. Facilmente identificável. Não é como Ulysses Guimarães que repetia uma frase de Miguel de Unamuno “Eu sou eu e minhas circunstâncias”.

Mas, depois de tantas voltas, cheguemos ao futebol. Scolari, o Felipão, é fiel ao seu estilo, como Fogerty. Um time de Felipão é facilmente identificável como um solo de Fogerty. É contido, cauteloso, equilibrado. Só que está exagerando. Se o Luan é titular e volta para compor o meio-campo, ele poderia ter alguém mais agressivo do outro lado.

O Maikon Leite, claro, na falta de outro. Não é um jogador espetacular, mas dá vida ao time. Dá velocidade e ameaça o adversário. Não deve ficar no banco enquanto Tinga arrasta sua malemolência pelo campo.

Tinga é a prova da fidelidade de Scolari ao seu estilo. De jogador afastado do time titular e do elenco, volta como titular. Em nome do equilíbrio, da cautela etc etc.

Muda, Felipão. Ouse mais. Esse campeonato é propício a isso. São times fracos e oito se classificam. Se faz tanta questão do Tinga, guarde-o para os jogos duros. Bragantino não é o caso.