Quando Gian Piero Gasperini deixou a Inter, após apenas cinco jogos e nenhuma vitória na temporada 2011-12, muitos davam a sua carreira como estagnada. Diziam que ele não voltaria a treinar uma grande equipe, por ter fracassado retumbantemente, abraçado com a sua teimosia. Ele voltaria a trabalhar um ano depois, no Palermo, e teria um grande participação no rebaixamento da equipe siciliana – inclusive, ele foi demitido duas vezes pela diretoria palermitana. Após dois trabalhos muito ruins, muitos esqueceram que Gasperini é um bom técnico. De volta ao Genoa, ele tem relembrado os esquecidos e mostra que seu feeling com o clube é o de um casamento perfeito.

Em sua segunda passagem pelo Marassi, Gasperini assumiu o Genoa após a 6ª rodada, no lugar de Fabio Liverani, que havia conquistado apenas quatro pontos – a única vitória aconteceu no dérbi contra a Sampdoria. Em seis partidas, Gasperini conquistou quatro vitórias, um empate e foi derrotado apenas uma vez, contra a Juventus. Hoje, o Genoa é o 7º colocado, com 17 pontos, acima de Lazio, Milan e Udinese, e começa a encostar na zona europeia: são cinco pontos atrás do Verona e sete atrás da Fiorentina, respectivamente na 5ª e 6ª colocações.

Quando trabalhou na equipe genovesa pela primeira vez, Gasperini ficou quatro anos. Tirou o time da Serie B, e, na elite, fez duas campanhas regulares e uma excelente (esta, em 2008-09). Na sua melhor temporada, deixou a equipe na 5ª posição, empatada em pontos com a Fiorentina, e acabou ficando com uma vaga na Liga Europa – a viola se classificou para a Liga dos Campeões por critérios de desempate. Por ter ficado muito tempo no cargo e pelas suas qualidades, ganhou o apelido de Gasperson, em referência a Sir Alex Ferguson.

Gasperini era querido pela parte azul e vermelha de Gênova, por ter relançado a equipe e ter um bom retrospecto contra a Samp: voltou a dar uma vitória no clássico após cinco anos e foi o primeiro treinador da história grifone a conseguir três vitórias seguidas sobre a rival. Porém, acabou demitido após um início de temporada tortuoso, em 2010-11. Um dos motivos foi a insistência exacerbada no 3-4-3, seu esquema tático preferido, que não vinha rendendo. Sem Gasperini, porém, o Genoa lutou contra o rebaixamento nas temporadas seguintes, com exceção de 2010-11, e ficou nos dois anos na 17ª posição, a última entre os times que permaneceram na elite.

Não dá para dizer que o Gasperini da segunda passagem pelo Genoa é o mesmo da primeira. O técnico voltou reciclado após seus maus trabalhos, e não é mais refém do 3-4-3. Ainda é o seu módulo-base, mas não foi o único esquema utilizado pelo treinador em seus jogos à frente dos grifoni. O técnico piemontês utilizou também o 3-5-2, o 4-4-1-1 e o 3-4-2-1. Nessas variações, a utilização mais avançada do eslovaco Kucka tem sido uma das grandes sacadas do treinador. Kucka, um autêntico box-to-box, já atuou nessa função e também como ala esquerdo no time genovês. Dessa maneira, fez dois excelentes jogos, diante de Lazio e Verona, e marcou gols, além de fazer boas atuações. O jogador, que já teve seu passe vinculado à Inter, hoje interessa ao Milan e à líder Roma.

A rigor, o Genoa é um time equilibrado, com um elenco de qualidades. No gol, Perin é um dos candidatos a suceder Buffon, e tem feito um ótimo campeonato. A defesa é low-profile, mas tem os duros Manfredini e Portanova, e a improvisação do lateral Antonini, ex-Milan, como terceiro homem da defesa tem sido bem assimilada – mais um mérito para o treinador, que ainda tem Gamberini e os jovens Sampirisi e Polenta como opção no banco.

Nas alas, Gasperini tem o melhor à sua disposição. Antonelli, selecionável pela Itália, é o dono da faixa lateral esquerda, e tem o regular e bom chutador Marchese como reserva. Do outro lado, o croata Vrsaljko, monitorado por Arsenal e Inter, é uma grata revelação da boa geração do seu país e se adaptou rapidamente ao futebol italiano. O meio-campo tem Kucka, o brasileiro Matuzalém voltando à boa forma, o habilidoso Fetfatzidis, e o experiente Santana. Titulares em potencial os promissores, mas já rodados, Bertolacci e Cofie dão o fôlego da juventude a um setor de força e experiência.

Até agora, falta a Gasperini recuperar o futebol de Lodi, que brilhou por três temporadas no Catania. Com muita qualidade no passe e em arremates de fora da área (especialmente em bolas paradas), o jogador é um autêntico regista, e pode ser decisivo. Porém, ele pode acabar sendo negociado em janeiro.

Os números do Genoa, apesar da subida na tabela, ainda não são exuberantes. O time marcou apenas 12 gols e sofreu 13 – 8 marcados e 4 sofridos desde a chegada de Gasperini, porém. Os números são bons para Gilardino, atacante titular da equipe e autor de cinco gols no campeonato. Visando uma vaga no time de Prandelli que virá ao Brasil para a disputa da Copa do Mundo, o goleador tentará ser o grande nome da equipe na redenção azul e vermelha. Com a recuperação de Lodi, Gilardino tem tudo para marcar uma pá de gols e ajudar a equipe a voltar a caminhar, juntamente a Gasperini, em busca de uma vaga em competições europeias mais uma vez. Potencial para uma campanha acima da média dos últimos anos não vai faltar.