A Associação de Futebol da Inglaterra, desde 2011 quando aplicou a primeira multa, já arrecadou £ 350 mil, aproximadamente R$ 1,3 milhão, apenas com sanções econômicas impostas a jogadores que usaram o Twitter de forma irresponsável (na visão dela), desde críticas públicas a árbitros até comentários preconceituosos. No último caso, Rio Ferdinando foi suspenso por três partidas e condenado a pagar £ 25 mil (R$ 100 mil) porque usou a palavra “sket”, uma gíria caribenha para prostituta, para se referir à mãe de um amigo internauta.

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O levantamento foi realizado pelo jornal The Guardian e conta que a primeira “investigação” (entre aspas porque, afinal, não tem muito o que investigar em uma mensagem pública) aconteceu em 2011, quando Ryan Babel, então no Liverpool, publicou uma montagem do árbitro Howard Webb com uma camisa do Manchester United. De lá para cá, mais 120 mensagens foram averiguadas: 18 não deram em nada, 27 levaram a advertências, 16 exigiram uma bronquinha e 60 viraram acusações. Dessas, 33 envolveram infrações sérias de um plano do futebol inglês para incentivar a inclusão e enfrentar a discriminação.

Aliás, Ferdinand está entre os jogadores que mais contribuíram para o cofre da FA por apertarem “send” sem pensar direito. Em 2012, ele foi multado em £ 45 mil (R$ 176 mil) porque chamou Ashley Cole de “choc ice”, querendo insinuar que o ex-lateral esquerdo do Chelsea era negro por fora e branco por dentro. O próprio Cole lidera o ranking de multados por ter pago o valor de £ 90 mil ao chamar a entidade inglesa de “um bando de pentelhos” por terem questionado as evidências que apresentou para defender o companheiro John Terry da acusação de racismo contra Anton Ferdinand.

Benoit Assou-Ekotto também desembolsou um valor substancial, £ 50 mil (R$ 195 mil), porque apoiou Nicolas Anelka quando o francês realizou o geste “quenelle”, de conotação anti-semita. Curioso observar que criticar e ofender a FA é praticamente duas vezes mais sério, pegando as multas da entidade como referência, do que endossar um gesto de ódio e usar termos racistas. Talvez as prioridades estejam um pouco invertidas nessa questão. A sanção mais baixa foi uma multa de £ 50 (R$ 195) para um dirigente do St Neots Town que criticou a arbitragem.

Não é comum que a suspensão de partidas acompanhe a multa em casos de infrações no Twitter, mas vem acontecendo com mais frequência. Ferdinando tornou-se o 12º jogador a receber também uma punição esportiva por causa do mundo virtual, o que dá 20% dos casos que foram investigados e terminaram em acusações oficiais. O que se deu pior foi David Deeney, também do St Neots Town, que joga a liga amadora do país, que pegou oito partidas afastado por causa de tuítes ameaçadores e discriminatórios.

Todo esse dinheiro não vai para a carteira de ninguém porque a FA é uma organização sem fins lucrativos. Será investido em divisões inferiores, e pelo menos a imprudência desses jogadores pode ajudar a melhorar as ligas menores da Inglaterra. Sempre pense um pouco antes de tuitar.

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