A Federação Inglesa está preocupada com a baixa venda de ingressos para o amistoso da seleção do país contra a Noruega, em Wembley, na próxima quarta-feira. A estimativa é que o público de um dos palcos mais tradicionais do futebol não passe das 40 mil pessoas. Exatamente: na Inglaterra, esse número é considerado baixo em contraste com um campeonato que lota as suas arenas e um time nacional que sempre atrai grandes públicos.

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Antes da Copa do Mundo de 2014, a Inglaterra de Roy Hodgson recebeu o Peru para um amistoso preparatório e lotou Wembley com 83.578 pessoas, um número espantoso para um jogo contra um time sem nenhuma grande estrela e que sequer estava classificado para o Mundial. Mesmo os amistosos de agosto, que tradicionalmente são os mais mornos do calendário internacional, por sucederem um grande torneio ou antecederem eliminatórias, costumam ser mais atrativos. Ano passado, a primeira visita da Escócia em 15 anos também atraiu mais de 80 mil pessoas – obviamente, o apelo local contribuiu muito.

A questão é relativa. O público da próxima quarta-feira muito provavelmente será o menor da história do novo Wembley, reconstruído em 2007. A presença mais baixa desde então, até agora, foi um amistoso contra a Suécia, em novembro de 2011, com apenas 48.876 pessoas. Antes disso, a última vez que houve um público inferior a 50 mil almas foi em 1998, na vitória por 2 a 0 sobre a República Tcheca, também em jogo amigável e puramente recreativo.

Ainda assim, a Inglaterra continua tendo um público respeitável para os jogos das sua seleção. A campeã do mundo Alemanha, por exemplo, costuma viajar ao redor do país e não lotou os estádios de Dortmund, Hamburgo e Kaiserslautern nos últimos doze meses. Contra a Itália, no San Siro, compareceram apenas 49 mil pessoas. Recentemente, a maior multidão que o time de Löw viu nas arquibancadas, exceto pela Copa do Mundo, foi justamente quando venceu os ingleses em Wembley, em novembro, sob o olhar de 85.934 seres humanos.

O adversário certamente não ajuda porque ninguém tem uma vontade especial de enfrentar a garoa de Londres para ver a Noruega jogar. E o encontro com uma seleção média para os padrões europeus nem foi culpa da Federação Inglesa, mas de Fabio Capello, que exigiu os escandinavos na preparação para a Eurocopa de 2012, e uma cláusula de reciprocidade marcou esse amistoso automaticamente.

Isso sem contar que os torcedores estão bastante decepcionados com a seleção inglesa depois de uma Copa do Mundo medíocre, na qual o time de Hodgson foi eliminado ainda na primeira fase, com nenhuma vitória para contar aos netos. Nem a perspectiva de acompanhar os novos rostos de uma equipe que se renova, como Calum Chambers, Danny Rose, Jack Colback e Fabian Delph (jogadores da convocação que ainda não vestiram a camisa da Inglaterra) foi suficiente para atrair multidões.

“Claro que isso me preocupa”, disse Hodgson. “Nós fomos para a Copa do Mundo cheios de esperança, com muito otimismo. O público esteve fantástico, mas tivemos resultados ruins. Eu não espero que eles de repente esqueçam tudo isso, da forma como nós treinadores e os jogadores somos obrigados a fazer. Espero que a torcida nos apoie porque esse time precisa deles. Acho que em 2016 (na Eurocopa da França) vamos ter uma boa seleção inglesa e eu tenho o direito de acreditar nisso. Você pode acreditar no que quiser, não vou convencê-lo, mas também não estou preparado para ser convencido do contrário”.

A FA calcula 20 mil ingressos vendidos mais os 17 mil membros do Clube de Wembley, que têm entradas garantidas, mas podem decidir simplesmente que não querem assistir à partida. Aposta nas vendas de última hora para preencher as caras arquibancadas do estádio que custou quase um bilhão de euros e cuja dívida ainda precisa ser paga. Enquanto isso, tem que lidar com o problema espinhoso de receber apenas 40 mil pessoas no seu estádio, um montante muito maior que a média de público de todos os clubes do Campeonato Brasileiro de 2014.