A tentativa de La Liga de levar um jogo do Campeonato Espanhol para os Estados Unidos está sendo contestada pela Federação Espanhola, em mais uma disputa entre as duas entidades. A federação afirma que a mudança de local viola regras da Fifa e é prejudicial para a candidatura da Espanha como sede da Copa do Mundo de 2030, ao lado de Portugal. Por sua vez, a liga aponta a hipocrisia da federação, que acaba de anunciar a realização das próximas três edições da Supercopa da Espanha na Arábia Saudita.

O jogo em disputa é o Villarreal x Atlético de Madrid, marcado para 6 de dezembro e que a liga espanhola gostaria de levar para Miami. Durante audiência nesta quinta-feira (14), advogados da Federação Espanhola afirmaram que uma partida em campo neutro seria prejudicial à integridade da competição e reforçaram que a liga não tem competência desportiva sobre o campeonato, apenas comercial.

Real Madrid e Barcelona estão ao lado da federação e se opõem ao jogo nos Estados Unidos, mas por sua própria razão: consideram que a mudança favoreceria o Atlético de Madrid, visitante no confronto, mas que, de repente, atuaria em campo neutro, até com mais apoio do que o mandante Villarreal.

“La Liga está tentando fazer algo que vai contra as regulamentações da Fifa. As consequências poderiam ser devastadoras para um país que quer receber a Copa do Mundo de 2030. Pedimos uma garantia de 50 milhões de euros”, disse Tomás González Cueto, advogado da federação espanhola.

Ademais, Cueto apontou que só os clubes podem solicitar jogar fora de seu estádio, classificando como um capricho de La Liga a mudança para os EUA. “Os clubes têm a obrigação de comunicar, com 15 dias de antecedência ao início de La Liga, em quais campos vai jogar e se eles precisam ser inspecionados”, lembrou o advogado. “Não sabemos se o estádio cumpre os requisitos necessários estipulados no regulamento.”

Presidente da liga, Javier Tebas rebate a acusação de dano à integridade do campeonato. “Se quiséssemos ser tão rígidos sobre a integridade da competição, teríamos que jogar todas as partidas ao mesmo tempo, sob o mesmo clima. É impossível fazer isso”, disse na quarta-feira (13).

A liga ainda acusa a federação de sistematicamente tentar impedir sua expansão internacional e querer ser “o único provedor do futebol espanhol”. Portanto, pede uma ordem judicial obrigando a federação a aprovar a realização da partida nos EUA. Embora não precise aprovar o pedido da liga – cabendo à Uefa e à Federação Norte-Americana fazerem-no –, a Fifa já se opôs à realização de jogos de campeonatos nacionais em outros países por meio do presidente Gianni Infantino, que mostrou incômodo com a tentativa da liga de mandar um Girona x Barcelona nos Estados Unidos.

Independentemente da decisão da justiça sobre Villarreal e Atlético de Madrid, que deve acontecer nos próximos dias, a tentativa da liga não deverá parar por aqui. O órgão fechou no ano passado uma parceria de 15 anos com a Relent, buscando promover o Campeonato Espanhol nos EUA e, claro, levar jogos para lá. A Relent é o mesmo grupo que controla a cada vez mais forte International Champions Cup, torneio amistoso de pré-temporada que tem levado grandes clubes europeus para diferentes lugares do mundo em suas preparações para os campeonatos nacionais.