Diferentes entidades organizadoras do futebol começam a traçar planos de ações para proteger seus clubes e os trabalhadores ligados à indústria durante a pandemia de coronavírus. Nesta quarta-feira, a federação espanhola apresentou seu pacote de medidas para gerir a crise e ajudar seus filiados. Diante da escalada do coronavírus na Espanha, com a suspensão de diversas atividades no país e a primordial ordem de isolamento social, o futebol local se prepara aos impactos socioeconômicos que ocorrerão.

Os planos foram apresentados por Luis Rubiales, presidente da federação espanhola, abrangendo tanto aspectos financeiros quanto sociais. O compromisso da RFEF é garantir a viabilidade dos clubes durante a paralisação, com o pagamento dos salários ao longo do período. Às equipes amadoras, a partir da terceira divisão, a entidade agirá diretamente. Serão €4 milhões liberados neste primeiro momento, para que as agremiações paguem salários de treinadores e jogadores.

Já nas duas primeiras divisões, que são profissionais, a federação negociará uma linha de crédito preferencial para realizar empréstimos em condições especiais. La Liga e os clubes com situação mais estável foram convidados a participar do financiamento. As principais empresas de crédito do país também foram consultadas pela RFEF no apoio à questão. A estimativa é de que sejam liberados no mínimo €500 milhões para sustentar os clubes. Segundo um estudo inicial, as perdas de receitas nas duas primeiras divisões do Campeonato Espanhol podem chegar a €678 milhões, caso a atual temporada não se conclua.

Também serão apoiadas as equipes de futebol de salão, bem como os times de futebol feminino que relatarem suas dificuldades. Independentemente da paralisação, a federação espanhola manterá a ajuda prometida aos clubes de níveis amadores ou de ligas em desenvolvimento. Cada time da elite feminina, por exemplo, terá preservado seu direito a receber €500 mil anuais, com €100 mil aos participantes da segundona. O mesmo para os até €290 mil às equipes da terceira divisão masculina e os até €105 mil à quarta divisão masculina.

A federação espanhola ainda antecipará os valores repassados pelo mecanismo de solidariedade da Uefa para fomentar as categorias de base no país. O valor total a ser dividido entre as duas primeiras divisões se aproxima dos €10 milhões. Há mais €3 milhões, a serem endereçados à terceira e à quarta divisão.

Em outro âmbito, a federação espanhola promete intermediar as relações trabalhistas entre clubes e jogadores. Rubiales afirmou que sua entidade está disposta a aceitar o adiamento no pagamento das possíveis dívidas dos clubes com os jogadores durante o período de inatividade, sem aplicar sanções. Em contrapartida, vai garantir 100% dos salários dos atletas, após negociação com os sindicatos.

Por fim, Rubiales deu exemplo ao oferecer um serviço de psicólogos e fisioterapeutas da federação para atender os atletas durante a paralisação. Também abriu as portas de Ciudad de las Rozas, o CT da seleção, para o uso como centro hospitalar pelas autoridades sanitárias. A RFEF ainda anunciou a intenção de criar uma entidade destinada à investigação científica dentro do esporte, investindo uma parcela de seus rendimentos a cada temporada, com a colaboração dos clubes, patrocinadores, jogadores e demais envolvidos.

A federação espanhola reiterou que seguirá as recomendações das autoridades sanitárias e governamentais na retomada de suas competições. Clubes que tomarem medidas unilaterais para romper a paralisação podem sofrer sanções administrativas ou outros tipos de imputações jurídicas por isso. Nota-se a responsabilidade em diferentes âmbitos da RFEF.