A Federação Norte-Americana de Futebol pediu desculpas, disse que não deu a atenção devida às experiências de negros e outras minorias e revogou a proibição de se ajoelhar durante o hino do país em protesto contra a brutalidade policial.

O gesto foi utilizado pela primeira vez pelo quarterback Colin Kaepernick, da NFL, e foi fortemente criticado pelo presidente Donald Trump. Kaepernick não atua na principal liga de futebol americano dos Estados Unidos desde 2016, quando começou a fazer o seu protesto contra o racismo e a violência da polícia contra minorias.

A manifestação se estendeu para outros esportes e chegou ao futebol por meio de Megan Rapinoe, que se ajoelhou durante o hino durante jogos contra Tailândia e Holanda, no final daquele ano. Em março de 2017, a US Soccer, então comandada por Sunil Gulati, determinou que “todas as pessoas representando uma federação nacional devem ficar de pé respeitosamente durante o hino nacional em qualquer evento em que a federação esteja representada”.

Gulati decidiu não concorrer à reeleição depois de os EUA ficarem fora da Copa do Mundo de 2018, sucedido pelo seu vice-presidente, Carlos Cordeiro, que renunciou em março deste ano após comentários descaradamente machistas em processo movido pela seleção feminina em busca de pagamentos iguais aos do time masculino. Cindy Parlow Cone assumiu interinamente a entidade.

Sob nova direção e motivada pelos novos protestos do Black Lives Matter (Vidas negras importam) desde a morte de George Floyd, homem negro asfixiado por um policial branco que apoiou seu joelho em seu pescoço durante quase nove minutos, a federação dos EUA decidiu revogar a absurda proibição e fez uma auto-crítica sem meias palavras.

“Ficou claro que essa política era errada e depreciava a importante mensagem do Black Lives Matter”, afirmou a entidade em um comunicado. “Não fizemos o bastante para ouvir – especialmente nossos jogadores – e entender e reconhecer as experiências muito reais e significativas de negros e outras comunidades minoritárias em nosso país”.

“Pedimos desculpas a nossos jogadores – especialmente aos jogadores negros -, funcionários, torcedores e todos que apoiam a erradicação do racismo. O esporte é uma plataforma poderosa para o bem e não a usamos com a eficiência que deveríamos. Precisamos fazer mais nessas questões e faremos”.

“Tem que ser, e será daqui para frente, critério dos jogadores determinar como eles podem usar as plataformas que possuem para enfrentar qualquer tipo de racismo, discriminação e desigualdade. Estamos aqui para nossos jogadores e prontos para apoiá-los em elevar seus esforços para alcançar justiça social”.

“Não podemos mudar o passado, mas podemos fazer a diferença no futuro. Estamos comprometidos com esta tentativa de mudança e vamos implementar ações de apoio no futuro próximo”.

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