Phaedra Al-Majid foi chefe de mídia internacional da campanha do Catar até 2010, quando foi demitida. Alguns meses depois, o país venceu a concorrência da Fifa e ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022. Nos anos posteriores, ela se tornou uma fonte importante de jornalistas que cobrem essa história e foi entrevistada por Michael Garcia, investigador independente atrás de corrupção no processo de candidatura dos próximos dois Mundiais. Forneceu documentos, gravações e dados, mas agora precisa olhar por cima do ombro por causa de ameaças e recebeu até uma oferta de proteção do FBI.

LEIA MAIS: Entenda por que o relatório da Fifa que inocentou a candidatura do Catar-2022 é cara de pau

“Eu estava em casa assistindo à televisão e de repente estavam três agentes do FBI na minha porta dizendo que queriam falar comigo”, afirmou à Sky. “Eu os deixei entrar e eles disseram: ‘Estamos aqui porque nós sabemos que você recebeu ameaças e sabemos que a sua segurança e de suas crianças foi prejudicada, então estamos aqui para saber o que podemos fazer para ajudá-la’. Foi assustador. Eu abri a porta e vi os três homens com as insígnias, e me fizeram várias perguntas sobre o Catar, o que eu observei, o que testemunhei”.

A identidade das testemunhas foi justamente um dos argumentos usados pelo juiz Hans-Joachim Eckert para não divulgar inteiramente o relatório de Michael Garcia para o público. Mas Al-Majid já era conhecida porque em 2011 teve que retirar acusações de que o comitê do Catar se ofereceu para pagar pelo voto de três membros do Comitê Executivo da Fifa. Não que não fosse verdade. Por “quebrar a confidencialidade do contrato”, o Catar-2022 ameaçou processá-la em U$ 1 milhão, o que a levaria à falência

COPA DO MUNDO: Catar não garante que homossexuais serão bem-vindos

“Eu não tinha mais representação legal. Quando os catarianos me abordaram, estava sozinha. Sou uma mãe solteira, com dois filhos, um deles muito autista e precisando de atenção especial”, afirmou à BBC. “Se eu me arrependo? Custou muito pessoalmente, emocionalmente. Sei que vou olhar por trás do ombro minha vida inteira. Custou minha credibilidade e, mais importante, a minha segurança e de minhas crianças. Acho que foi muito ingênua. Não estava preparada para a reação. Não estava preparada para o jeito como delatores são tratados. Somos os vilões. No entanto, eu vi alguma coisa e acredito que devo dizer o que vi”.

Em nota, o Catar respondeu que garante a “qualidade e a integridade” da concorrência e afirmou que as alegações de Al-Majid foram “investigadas, testadas, consideradas e descartadas” ao longo dos anos. Disse que Eckert identificou várias inconsistências nas evidências dela que prejudicaram a credibilidade dessas provas.

Veja tudo que a Trivela já publicou sobre a Copa 2022 no Catar.