Das quatro equipes que finalizaram a quarta rodada do Campeonato Português sem qualquer ponto conquistado nas últimas três temporadas, apenas uma não foi rebaixada: o Belenenses, em 2013/14, quando a competição ainda tinha 16 times – e não 18, como é atualmente. Paços de Ferreira (também em 2013/14), Penafiel (em 2014/15) e Acadêmica (em 2015/16) caíram para a segunda divisão após terem iniciado a competição extremamente mal.

LEIA TAMBÉM: Um sonho de padaria que dura 20 anos: a Portuguesa de 1996

Se a estatística prevalecer, são grandes as possibilidades de o Nacional da Madeira ser rebaixado ao final da atual temporada. Afinal, nas quatro rodadas derradeiras da Primeira Liga, a equipe é a única que ainda não somou nenhum ponto sequer. Além das quatro derrotas, tem a pior defesa, com oito gols sofridos e é dono do pior saldo de gols (-6).

Para se ter uma ideia do tamanho do fiasco do clube madeirense até agora, vale lembrar que em todo o campeonato passado, no qual ficou em 11º lugar, o time perdeu 16 vezes. Ou seja: com apenas 11,7% de rodadas da competição atual disputadas, o número de derrotas da equipe já atinge 25% do total de reveses (que já foi bem alto) de 2015/16.

Mas, embora seja dramática, a situação do time comandado pelo técnico Manuel Machado (que está em sua quinta temporada no cargo) ainda está longe de ser desesperadora. E já é mais uma daquelas histórias tão incríveis quanto malucas que o futebol costuma proporcionar.

É evidente que os 100% de derrotas dos alvinegros não se deve somente ao azar. Há uma enorme parcela de falta de futebol propriamente dito na culpa pelo mau desempenho. Mas há também, inegavelmente, uma fase terrível, daquelas em que nada parece dar certo.

O prenúncio de uma temporada complicada parece ter vindo junto com o incêndio que atingiu a Ilha da Madeira, causou danos à sede do clube, obrigou a equipe a buscar alternativas de locais para treinar e adiou a estreia do Nacional no Campeonato Português.

Curiosamente, é justamente o jogo adiado contra o Desportivo Chaves que, quando disputado após a segunda rodada, pode ser classificado como uma espécie de símbolo da má fase. Jogando em casa, o Nacional foi para a partida tendo acumulado derrotas para Arouca (fora) por 2 a 0 e Benfica (em casa) por 3 a 1. Então, quando se imaginava que a equipe finalmente poderia vencer a primeira, diversas contusões, convocações para seleções, rescisões de contrato e problemas com inscrição fizeram com que Manuel Machado só tivesse 15 jogadores à disposição. O resultado foi mais uma derrota, dessa vez por 1 a 0.

Neste sábado (10), o bom primeiro tempo do time frente ao Belenenses, mesmo jogando fora de casa, até deu um certo ânimo ao torcedor. A equipe saiu na frente (foi a primeira vez que esteve vencendo um jogo no campeonato). Mas tomou o empate e sofreu a virada, com direito a gol contra aos 40 minutos do segundo tempo.

Apesar dos pesares, o Nacional pode sair da zona de rebaixamento já na próxima rodada, quando faz o clássico da Madeira contra o Marítimo, na sexta-feira (16). Será mais uma oportunidade de o time tentar jogar bem – e dos deuses do futebol mostrarem se ainda estão brincando de castigar o clube.

Capitão forçado e gol de goleiro

Dois fatos inusitados marcaram o final de semana do futebol português. Um deles ocorreu na tranquila vitória do líder Sporting por 3 a 0 sobre o Moreirense, em Alvalade – jogo que teve a estreia do atacante André e a reestreia do volante Elias com a camisa alviverde. Ao ser substituído (justamente para a entrada de Elias), o capitão Adrien passou a braçadeira a William Carvalho, mas o árbitro do jogo, Nuno Almeida, exigiu que ela fosse entregue a Rui Patrício.

A situação intrigou a todos e, mesmo mostrando que não estavam entendendo nada, os jogadores acataram a ordem e o goleiro atuou como capitão nos minutos finais do jogo. A explicação veio depois da partida: em Portugal, quem assina a súmula como sub-capitão (neste caso, Rui Patrício) é obrigado a assumir o posto caso o titular saia do jogo.

O outro caso curioso vem da segunda divisão. O goleiro do Porto B, João Costa, salvou a equipe da derrota para o Penafiel ao se lançar à área e marcar o gol do empate por 2 a 2, aos 48 minutos do segundo tempo.

Chamada Trivela FC 640X63