Por Gabriela Chabatura, em Montevidéu

Dois mil torcedores do Palmeiras estão pintando as ruas de Montevidéu, capital uruguaia, de verde e branco. A poucas horas da partida contra o Peñarol, grupos entoam cânticos pela principal avenida da cidade, a 18 de Julio, e espalham bandeiras pelos hostels da região central. Entre os que fazem algazarras em solo estrangeiro está Arnaldo França Torres, de 54 anos.

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Figura conhecida da torcida e funcionários do clube, Torres é um dos organizadores da excursão alviverde a Montevidéu. Percursor de torcidas organizadas como Mancha Verde e TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras), ele reuniu, sozinho, cerca de 120 pessoas oferecendo pacotes de hospedagem (tratado diretamente com o hostel), ingressos (a R$ 110) e translado (a R$ 60) para o estádio Campeón del Siglo. Um “passatempo” que voltou a praticar depois de viver 13 anos na Inglaterra.

Residente de Santana, bairro da zona norte de São Paulo, Arnaldo Torres foi também o responsável por levar uma legião de palmeirenses à final do Campeonato Brasileiro de 97, no Rio de Janeiro, e também ao Mundial no Japão em 1999. Para o país nipônico, embarcou 70 torcedores com a oferta de passagem aérea, quatro translados e hotel “melhor do que o do Palmeiras”, o mesmo – inclusive – que hospedou a torcida do Manchester United, adversário daquela decisão.

“Foram sete fretamentos somente com a torcida do Palmeiras. Em 95, nas quartas de final da Libertadores, vendi 180 lugares no avião em dois dias. Em 97, foram 220 passageiros. Recebi dez cheques sem fundo, mas faz parte”, conta o fanático que, na época, era funcionário de importação da Varig (Viação Aérea Rio-Grandense). A empresa encerrou as atividades em 2006.

Com 40 anos de arquibancada, Torres prefere não mensurar o quanto já gastou para seguir o Palmeiras. Somente na última viagem, para acompanhar o duelo contra o Atlético Tucumán, na Argentina, teve uma despesa de R$ 2.500.

“Se eu fizer as contas, vou ficar louco. Acho que dá uma Ferrari”, diz. Apesar disso, ele estará presente em Cochabamba, na Bolívia, para o jogo contra o Jorge Wilstermann, no dia 3 de maio.

A empolgação da torcida do Palmeiras é tamanha que preocupa a polícia local para a possibilidade de conflitos com os uruguaios. Por ser a primeira torcida brasileira a comparecer ao novo estádio e em grande número, o esquema de segurança ainda é colocado em xeque. Teste do bafômetro, escoltamento e vistoria serão algumas das medidas adotadas para inibir qualquer tipo de violência.

Que o Campeón del Siglo receba um grande espetáculo. Dentro e fora do campo, nas arquibancadas.

Peñarol x Palmeiras se enfrentam às 21h45, com transmissão da Globo (para SP) e Fox Sports. Veja mais na Programação de TV.