Faltou bola, mas não pegada: Sangue de São Paulo e Galo ferveu para uma noite de Libertadores

Em partida nervosa, a insistência maior do São Paulo garante uma leve vantagem na visita ao Atlético Mineiro

Indubitavelmente, era uma noite de Libertadores. A atmosfera se sentia no entorno do Morumbi, como em tantas outras partidas históricas do torneio já realizadas por lá. As arquibancadas cheias, com mais de 60 mil presentes, ressaltavam a importância da ocasião. E o recebimento escancarava as esperanças da torcida da casa, entre as luzes dos celulares e dos sinalizadores. Por fim, quando a bola rolou, a identidade da competição sul-americana prevaleceu. São Paulo e Atlético Mineiro não fizeram uma partida bem jogada. Faltaram lances trabalhados, ocasiões de gol. Mas, para quem aprecia o tal “espírito de Libertadores”, a peleja satisfez. Sobrou vontade, pegada, sangue quente. Por fim, a insistência maior do Tricolor prevaleceu. A vitória por 1 a 0 dá leve vantagem para o reencontro no Independência.

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Os primeiros minutos já exibiram qual seria a tônica do jogo, com cartões amarelos para Ganso, Rafael Carioca e Thiago Mendes. Tanto São Paulo quanto Atlético não economizavam na força das divididas, logo ocasionando as primeiras confusões. Enquanto isso, o árbitro Wilmar Roldán perdia o controle dos ânimos. O colombiano teve muitas dificuldades em conduzir a partida, diante de tantas marcações. Pareceu mesmo se perder um pouco no critério, tratando os dois times com níveis diferentes de rigor.

O fato é que o destempero atrapalhava bem mais são-paulinos e atleticanos. Os erros no campo ofensivo eram recorrentes, mas as duas defesas compensavam, muito bem postadas. Durante os 45 minutos iniciais, apenas uma chance para cada lado: a cabeçada de Ganso por cima do travessão e o gol bem anulado de Pratto por impedimento. Se o coletivo não funcionava, o individual também não pesava para abrir espaços. Pior para o Galo, que, não bastassem os desfalques ofensivos anteriores ao jogo, ainda perdeu Robinho com uma lesão na coxa. Ao menos o time de Diego Aguirre merecia elogios pela solidez, também sabendo ter calma na saída de bola e não enfrentar problemas com a marcação adiantada dos são-paulinos.

O nível de emoção melhorou no segundo tempo, ainda que não necessariamente o nível técnico. Com sete cartões amarelos distribuídos na primeira etapa, os dois times passaram a se arriscar menos no racha. Buscavam um pouco mais o ataque. Cauteloso, o Atlético apostava em ligações diretas a Lucas Pratto, que quase nunca davam certo. Faltava um pouco mais de cadência no meio de campo, recheado de jogadores voluntariosos. Enquanto isso, o São Paulo começou a trabalhar mais pelas pontas. Sua estratégia vinha pelo alto, com os cruzamentos e as bolas paradas. Assim, ameaçavam.

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Edgardo Bauza aproveitou o momento para buscar a vitória, reforçando o ataque com as entradas de Michel Bastos e Wilder Guisao. Ambos davam mais vigor pelos lados do campo. Até que, aos 34 minutos, os tricolores encontraram o gol da vitória a partir de uma falta na lateral da área. Wesley cobrou para o próprio Michel Bastos desviar de cabeça, se antecipando a Victor na primeira trave. E o clima em campo, que poderia se acirrar com o tento, esfriou diante de um fato triste no Morumbi, com a queda de uma grade das numeradas. Alguns jogadores são-paulinos se preocuparam em socorrer os torcedores, com ferimentos leves. Depois de minutos de paralisação, o árbitro decidiu retomar o duelo. Coube aos paulistas se fecharem um pouco mais para conter a tímida tentativa dos mineiros de reduzir o prejuízo. Foi assim até o apito final.

Para o reencontro em Belo Horizonte, as duas equipes têm preocupações. Além das contusões, o Atlético perderá Rafael Carioca e Júnior Urso, suspensos. Já o São Paulo corre o risco de ficar sem Maicon, o esteio de sua defesa, que saiu lesionado. De qualquer maneira, a vitória simples já serve de um trunfo na manga para os tricolores. Se o espírito de Libertadores tomar também o Independência, com mais vontade para pegar do que para criar, não será difícil segurar o 0 a 0. O problema é que, nos últimos anos, as noites de mata-matas no Horto costumam reservar uma aptidão descomunal dos mineiros ao impossível. E, recentemente, nenhum time brasileiro aprendeu a lidar tão bem com a Libertadores quanto o Galo.