Restando pouco mais de seis meses para a realização da Copa Africana de Nações, Camarões perdeu o direito de sediar o torneio. Em 30 de novembro, a Confederação Africana de Futebol anunciou que o país não estaria apto para receber a competição a partir de junho de 2019 – por atrasos nas obras, mas também pelo aumento das tensões em regiões separatistas do país. Sede da Copa do Mundo de 2010 e da CAN 2013, a África do Sul aparecia como favorita para substituir os camaroneses. Nesta terça-feira, entretanto, a CAF confirmou o Egito como anfitrião da Copa Africana. Os egípcios entraram no páreo com os sul-africanos e ganharam 16 dos 18 votos na eleição de urgência convocada pela confederação.

O Egito se torna o país que mais vezes sediou a CAN, indo para a quinta edição do certame em seu território. A última delas aconteceu em 2006 e marcou o início da hegemonia dos Faraós no torneio durante a década passada, emendando três títulos. Na ocasião, os jogos se dividiram por seis estádios. Além disso, os egípcios também receberam o Mundial Sub-20 em 2009. Oito estádios foram selecionados para a próxima Copa Africana, divididos em cinco cidades. A decisão deverá ocorrer no Estádio Internacional do Cairo, principal palco do país. Vale lembrar que, pela primeira vez, a competição continental será disputada por 24 seleções.

Este será o primeiro evento do futebol internacional no Egito desde a Primavera Árabe. O país atravessou diferentes mudanças de poder e disputas políticas, que repercutiram nos estádios, com os ranços que culminaram no Massacre de Port Said e suas consequências ainda sangrentas. O Campeonato Egípcio chegou a ser cancelado naquela temporada de 2011/12 e mudou seu formato nos anos seguintes. Exceção feita a um breve hiato, os jogos da liga aconteceram com portões fechados até o início desta temporada, quando finalmente as autoridades avaliaram condições de segurança suficiente para receber torcedores. Neste intervalo, apenas os jogos de clubes por competições internacionais tinham público, muitas vezes transferidos a Alexandria, evitando os tumultos no Cairo. Já a seleção fez apenas oito partidas no Cairo desde 2012, adotando Alexandria como sua casa.

Atualmente, o Egito é governado por Abdel Fattah el-Sisi. Um dos líderes do golpe militar ocorrido no país em 2013, ele foi eleito em 2014 e venceu o pleito novamente em 2018, apesar das contestações quanto à lisura do processo nas urnas. Há um foco de tensão com os apoiadores da Irmandade Muçulmana, grupo político-religioso legalizado após a Primavera Árabe, mas considerado um grupo terrorista por El-Sisi. Apesar das disputas internas no país, a relativa estabilidade motivou a escolha da CAF. Vale lembrar que ainda ocorre uma guerra civil na vizinha Líbia, com envolvimento direto do governo egípcio.

“Tivemos um curto período de preparação, mas o esforço coletivo permitiu nosso sucesso. Esperamos estar prontos para esta grande responsabilidade, já que não temos muito tempo. As distâncias curtas e outros fatores asseguraram a vitória do Egito na eleição. A edição de 2006 foi um grande sucesso e deu um passo à frente para o torneio”, declarou Hani Abo-Rida, presidente da Associação Egípcia de Futebol. Restam seis meses para honrar a ocasião e, quem sabe, motivar o Egito ao seu oitavo título continental.