Seleção Brasileira. Sonho de quase todos os jogadores profissionais, de nove entre dez crianças que sonham em jogar futebol (sempre tem uma que nem faz tanta questão assim e prefere jogar no clube). No Brasil, vivemos um problema. Os jogadores que vão para a seleção e atuam em clubes brasileiros desfalcam seus times durante torneios importantes, especialmente o Campeonato Brasileiro. Tudo por um calendário mal feito, um descaso da CBF, que parece não se preocupar com esse problema.

A situação é assim há anos. Isso porque os clubes brasileiros são minoria na convocação da seleção principal há algum tempo. Os grandes jogadores brasileiros estavam lá fora e apenas um ou outro jogava aqui no país. Ainda assim, era um desfalque e prejudicava o time. Nenhum clube se manifestava para mostrar descontentamento, a não ser uma ou outra declaração velada na imprensa. Nenhuma atitude.

Como o problema do calendário brasileiro é crônico e, ao que parece, a CBF não está preocupada e mudar, quem tem que tomar a frente são os clubes. São eles que pagam os salários dos jogadores para ficar sem eles em momentos importantes da temporada – como será agora, nos próximos dois jogos, quando diversos clubes sentirão falta de seus atletas.

Falta peito aos clubes. Porque são eles que teriam poder para mudar essa situação. Deveriam se unir e, juntos, manifestarem-se contrários a essa situação. Protestar, formalaizar essa reclamação. Dificultar a liberação dos jogadores enquanto a situação não for seriamente discutida.

Só que esbarramos em um problema: os dirigentes. Muitos temem represálias e possuem relações com os cartolas da CBF, com quem possuem relações e recebem, vez por outra, afagos – como é o caso do Santos, que tem muitos jogadores convocados, mas ao mesmo tempo recebe adiamentos de jogos. Um toma lá dá cá nada saudável. Cada dirigente quer tirar o máximo de proveito para si mesmo, para o próprio clube. Dane-se o campeonato. E ainda ri do rival que tem vários convocados e terá desfalques.

Parece não haver a percepção que os clubes, unidos, poderiam fazer um campeonato melhor, mais interessante e de mais visibilidade. A CBF também não vê que essa situação prejudica inclusive a própria Seleção, que tem que ponderar convocar os jogadores dos clubes de maneira equilibrada, sem desfalcar demais os times convocando quatro ou cinco de um só clube. Um problema para o técnico que o calendário criou.

Falta muito peito. O dia que os clubes resolverem peitar a CBF e exigir um calendário que respeite as datas Fifa, as coisas tendem a mudar. Se depender apenas da CBF, as mudanças virão na mesma velocidade que as melhorias nos serviços públicos brasileiros. E quem usa educação, saúde, transporte e serviços públicos em geral vai sacar qual é essa velocidade.