A temporada do Grêmio não tem sido a mais fácil. O time não joga bem com a mesma frequência de anos anteriores, mas quem aprende a vencer não desaprende. Próximo da final da Copa do Brasil, conseguiu chegar à terceira semifinal de Libertadores consecutiva, ao derrotar o Palmeiras, por 2 a 1, no Pacaembu, nesta quarta-feira.

Everton Cebolinha reforçou sua candidatura a melhor jogador em atividade no Brasil ao colocar a bola debaixo do braço durante a pane defensiva do Palmeiras, depois de Luiz Adriano abrir o placar. Fez o gol de empate e a jogada da virada. E, ao fazer isso, impôs ao Palmeiras a pergunta que ele simplesmente não sabe responder: como virar um jogo?

Tudo começou normal. Com a iniciativa da partida nos primeiros minutos, Luiz Adriano pegou o rebote de Paulo Victor e marcou seu primeiro gol pelo Palmeiras. Ao mesmo tempo, atirou a partida a uma aleatoriedade, uma troca de golpes, poucas vezes vista na Libertadores e mais bem aproveitada pelo Grêmio.

Alisson cobrou a falta e Everton apareceu na segunda trave para empatar. E aí, Cebolinha fez a defesa do Palmeiras chorar. Saiu costurando pela intermediária até entrar na área. Weverton saiu do gol para abafar, mas bateu cabeça com Luan e a sobra ficou com Alisson, que apenas empurrou às redes.

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A retaguarda alviverde, bastião do estilo de jogo de Luiz Felipe Scolari, retornou da parada da Copa América estranhamente frágil e havia dado sinais de melhora no jogo em Porto Alegre. Voltou, porém, a falhar e em questão de minutos, a vantagem de dois gols construída pelo Palmeiras foi dizimada. Os donos da casa se viram em desvantagem, com o histórico de nunca terem virado um jogo sob o comando de Felipão.

Nem precisavam. Bastaria um gol. E quase o fez antes do intervalo, mas Willian, primeiro, mandou a sobra na trave e, segundo, pareceu se assustar com a bola, após uma saída em falso de Paulo Victor.

O intervalo acalmou os ânimos da partida e a colocou em uma dinâmica mais normal. Com a vantagem, o Grêmio foi esperto o bastante para deixar a bola com o Palmeiras e apostar nos contra-ataques. O risco seria mínimo. É sabido que este time alviverde não tem repertório para quebrar defesas quando precisa buscar o resultado.

A posse de bola que foi de 50% para cada lado no primeiro tempo subiu para 69% a a favor dos anfitriões no segundo, e todo esse volume de jogo gerou um total de zero finalizações certas a gol. O Palmeiras pressionou, tentou, mas não entrou na área, nem fez Paulo Victor trabalhar, e nem conseguiu aquela chance que faria os torcedores do Pacaembu levarem a mão a cabeça e falarem “uuuuhhh”.

O Grêmio teve o mérito de adotar a tática certa no segundo tempo e executá-la impecavelmente, liderado por Geromel, o zagueiro que tudo corta e tudo afasta, em noite monumental, e de ter Everton para aproveitar a fragilidade defensiva do adversário para virar o jogo em pouco tempo e colocar o Palmeiras em uma situação da qual ele nunca consegue sair.

E, principalmente, de ser um time coeso, que mesmo quando não está apresentando o melhor futebol que consegue apresentar é forte e sabe encontrar o caminho da vitória, porque ninguém chega a três semifinais de Libertadores por acaso.