À primeira vista, apesar do peso dos times, Sevilla e Barcelona talvez não fosse um jogo tão bom quanto pudesse soar. Por mais que servisse de prévia à decisão da Copa do Rei, a prioridade dos times nesta semana é outra, com a Liga dos Campeões surgindo no horizonte. Os rojiblancos não têm grandes pretensões no Campeonato Espanhol, enquanto os blaugranas nada de braçada. Todavia, o que se viu no Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán foi um dos jogos mais intensos de La Liga nesta temporada. Os andaluzes foram reais desafiantes à invencibilidade do Barça. Abriram dois gols e criaram um punhado de chances de matar o jogo, em atuação elétrica do time de Vincenzo Montella, mas imprecisa. Então, nos instantes derradeiros, pesou a qualidade individual à disposição de Ernesto Valverde. Apareceu Lionel Messi, que saiu do banco e, com uma de suas tacadas de sinuca, garantiu o empate por 2 a 2 no apagar das luzes. Herói de um resultado que vem como alívio aos catalães.

Ausente nos dois compromissos da Argentina na Data Fifa, Messi começou no banco de reservas. O Barcelona, ainda assim, não tirou o pé do acelerador só por causa da Champions. Entrou com a força máxima à disposição, com trinca ofensiva formada por Luis Suárez, Philippe Coutinho e Ousmane Dembélé, além de Andrés Iniesta, Ivan Rakitic e Paulinho no meio. Da mesma forma, o Sevilla vinha com força, por mais que Montella tenha preterido Wissam Ben Yedder por Luis Muriel na linha de frente – em revezamento comum na equipe.

O Barcelona começou a partida mais ativo. Durante os primeiros dez minutos, arriscou bastante contra a meta de Sergio Rico, mas sem conseguir marcar. Então, aos poucos, o Sevilla cresceu. Passou a buscar mais o campo de ataque, através dos contragolpes, se aproveitando da falta de proteção no meio catalão. Era uma partida aberta. Mas a felicidade maior foi dos anfitriões, aos 36 minutos, com a permissão da defesa adversária. Joaquín Correa fez a jogada pela esquerda e encontrou Franco Vázquez totalmente livre de marcação, mesmo com vários jogadores blaugranas ao seu redor. Marc-André ter Stegen não teve chances. Apesar de um lance perigoso com Gerard Piqué, o Barça precisaria buscar o prejuízo no segundo tempo.

E logo aos quatro minutos, a missão dos visitantes se tornou ainda mais difícil. O Sevilla botou seus oponentes contra as cordas e ampliou, com Luis Muriel. Outro cochilo da zaga, em meio à insistência dos andaluzes. Sergio Escudero conseguiu infiltrar na área e bateu para defesa de Ter Stegen. Já no rebote, o colombiano apareceu livre, balançando as redes. Pouco depois, os rojiblancos ainda tiveram tudo para fazer o terceiro. Jesús Navas partiu sozinho e, após fintar o goleiro, viu Piqué salvar em cima da linha. No rebote, Vázquez mandou para fora.

Foi então que Valverde acionou Messi, aos 12 minutos. E de fato parecia que o Barcelona cresceria, chegando a acertar uma bola na trave com Luis Suárez. Contudo, por mais que os blaugranas tivessem a posse, sofriam para encontrar brechas na defesa adversária. Coutinho eram um dos poucos lúcidos, diante da falta de ideias. Pior, se abriam para os contra-ataques dos rojiblancos. Avanço após avanço, os andaluzes jogavam fora a definição do duelo. Muriel foi quem mais errou, precipitado e impreciso em suas conclusões. Navas e Miguel Layún também não ajudaram, com Piqué e Samuel Umtiti vulneráveis. Entre os 17 e os 40 minutos, foram nove finalizações desperdiçadas pelo time da casa, contra apenas duas dos forasteiros.

Por fim, preponderou aquela velha visão sobre a “bola que pune”. E contra um time como Barcelona, a pena é severa. A partir dos 40, com o Sevilla recuado, um pandemônio se instaurou em sua área. Luis Suárez reduziu a diferença aos 43, se esticando para completar escanteio cobrado por Coutinho. Menos de um minuto depois, surgiu Messi. Encontrou o caminho aberto como não acontecera antes. Coutinho tocou, Denis Suárez deixou passar e o camisa 10 acertou um chute cirúrgico da entrada da área, no canto de Sergio Rico. Determinou o empate por 2 a 2. Nos acréscimos, os andaluzes ainda reclamariam de um pênalti, mas o árbitro acertou em não marcar.

O resultado vale ao Barcelona pela reação, bem como pela chance de conquistar o título invicto. De qualquer maneira, os blaugranas precisam aprender com os erros. Esteve longe de ser uma boa atuação e a maior virtude da equipe de Ernesto Valverde não funcionou, com a defesa errando demais. Contra um adversário mais competente, a quantidade de contra-ataques poderia ter resultado em uma goleada acachapante. Ao Sevilla, resta lamentar e levantar a cabeça. Em uma temporada tão irregular, ao menos as boas exibições contra adversários de mais peso são algo favorável. Neste momento, o Barça lidera com 76 pontos, a 12 do Atlético de Madrid, que joga no domingo. Já o Sevilla tem 46, correndo o risco de perder o sexto lugar justo para o rival Betis.