O atacante Radamel Falcao Garcia é uma das figuras marcantes do futebol sul-americano ao menos na última década. Aos 33 anos, o colombiano iniciou a carreira no Lanceros de Boayatá, mas ainda nas categorias de base mudou para o River Plate. Estreou pelo time argentino em 2005 e defendeu o clube até 2009, em uma ótima passagem. Foi eleito o jogador sul-americano do ano em 2007 e, em 2009, foi para o Porto. Teve muito sucesso com a camisa do time português e de lá foi para o Atlético de Madrid, em 2011. Foram dois anos pelos Colchoneros, brilhando mais uma vez, até que em 2013 foi para o Monaco, seu clube atual, mas com passagens por empréstimo por Manchester United e Chelsea, sem sucesso.

LEIA TAMBÉM: Tuchel busca reação após ‘acidente’ na Champions: “Oportunidade para agirmos como campeões”

Em 2014, o jogador viveu um dos grandes dramas da sua carreira ao se machucar seriamente – rompeu os ligamentos cruzados do joelho. Ficou fora da Copa e sua recuperação foi difícil. Foi para o Manchester United depois da Copa do Mundo no Brasil, mas pouco jogou pelos Red Devils na temporada 2014/15, sofrendo para ter bom desempenho. O que aconteceu, na temporada seguinte, foi outro empréstimo: foi ser o camisa 9 do Chelsea. Mais uma vez, pouco jogou, não foi comprado e voltou ao Monaco ao final da temporada.

Foi no clube do Principado que Falcao se recuperou. Foi nomeado capitão do time do técnico Leonardo Jardim (que saiu, mas voltou ao clube depois da demissão de Thierry Henry nesta temporada), fez 30 gols na temporada e foi um dos grandes protagonistas do time que foi campeão francês, desbancando o badalado Paris Saint-Germain. Isso além de ir até a semifinal da Champions League, derrubando pelo caminho Manchester City, Borussia Dortmund e caindo apenas para a Juventus.

Em entrevista à Revista France Football, o jogador falou sobre um sonho: ter carreira profissional no beisebol. Falou também sobre Thierry Henry, que foi técnico do Monaco nesta terrível temporada do time.

Carreira no beisebol

“Eu amo beisebol”, afirmou o atacante. “Quando eu era jovem na Venezuela, onde eu cresci, eu joguei o esporte em um nível muito alto. Eu falo frequentemente sobre isso com a minha esposa. Eu acredito que quando eu terminar minha carreira no futebol, eu vou tentar como jogador profissional de beisebol”, continuou. “Como [Michael] Jordan, mesmo se ele tenha sido um jogador de basquete e não conseguiu jogar nas grandes ligas, no mais alto nível. Eu quero ser o primeiro a ter sucesso”.

Pressa na juventude

“Eu gostaria de tentar ter mais prazer, aproveitar mais. Eu penso no período quando eu comecei na Argentina. Quando eu cheguei, eu joguei com jogadores da minha idade e eu estava com pressa, subir o mais rápido possível para jogar profissionalmente. Eu fui focado nisso e eu esqueci de aproveitar a vida. Eu queria as coisas imediatamente. E se isso não funcionar, eu fico nervoso. Eu não tinha paciência”, contou o centroavante colombiano.

Thierry Henry

“Eu acho que ele tem boas ideias. Ele lê futebol bem. Mas três meses foi muito pouco para ele desenvolvê-los. Mas eu acho que é como tudo: é melhor quando você tem experiência e tempo. Titi chegou em um contexto difícil, com um time que estava com problemas desde o começo da temporada”, afirmou o colombiano.

“Um time é como uma orquestra, não pode ser improvisado. É preciso de trabalho, repetição e tempo para estar em harmonia. Se a cada ano você muda quatro ou cinco jogadores, é mais difícil. Onde ele pode trazer é em uma situação específica na partida, algo que ele viveu e pode falar. Ele tem a ciência do jogo. Eu acho que ele tem tudo para ser um grande técnico”, analisou Falcao.

O apelido de El Tigre

“Vem de um dos meus ex-companheiros no River Plate, Gonzalo Ludueña, que me disse depois de uma reunião que eu era como um tigre no campo. Ficou. É verdade que eu mudo quando estou no campo. No dia a dia, eu sou alguém muito calmo, muito quieto. Quando eu jogo, me torno outro… Vem do desejo que eu tenho de jogar bem, a ambição que me habita”, afirma o centroavante.

Na atual temporada, Falcao marcou 13 gols em 31 jogos. O Monaco de Falcao volta a campo nesta sexta-feira, 15, diante do Lille, segundo colocado na tabela da Ligue 1. O time é o 17º colocado, lutando contra o rebaixando. Os três últimos são rebaixados (18º, 19º, 20º). O Monaco abriu seis pontos do Dijon, 18º colocado.