A Bundesliga voltou, e com sua dose de questionamento sobre os protocolos adotados pela competição. Um dos pontos mais discutidos nestas primeiras partidas está na postura dos jogadores durante a comemoração dos gols. Conforme a recomendação da liga, eles não devem se abraçar ou se cumprimentar. A maioria das celebrações é fria, à distância, e alguns atletas até brincaram com isso. Por outro lado, o contato permanece durante os 90 minutos de outras maneiras.

Atualmente no Galatasaray, Radamel Falcao García esteve entre os jogadores profissionais que se posicionaram publicamente sobre o tema. O centroavante perguntou se há alguma explicação médica para a limitação. “Vendo o retorno do futebol, eu me pergunto: existirá alguma razão técnica para que não se permita o abraço nos gols? Durante toda a partida estamos em constante contato. Em uma cobrança de escanteio, os defensores estão em cima de você. Na barreira, todos estão juntos…”, escreveu o colombiano, em suas redes sociais.

A ideia em limitar as comemorações está em evitar “contatos desnecessários”, reduzindo assim as chances de contágio, mas soa também como um “exemplo de distanciamento à população”. Contudo, o restante da partida mostra o exemplo contrário, com contatos constantes. E a volta da Bundesliga coloca o futebol profissional em uma situação privilegiada em relação a outros setores da sociedade, que seguem paralisados ou isolados. É essa diferenciação que incomoda muita gente no país, quando a pandemia ainda representa um risco a qualquer um.

Um dos jogos que geraram mais debate foi a vitória do Hertha Berlim por 3 a 0 sobre o Hoffenheim. Na comemoração, os jogadores berlinenses não se contiveram muito, com abraços e beijos no rosto. Novo treinador do clube, Bruno Labbadia preferiu minimizar a situação quando perguntado sobre o assunto em coletiva de imprensa neste domingo.

“Não quebramos quaisquer regras, isso é o mais importante. É uma recomendação, não uma proibição. Mas não estou dizendo que está tudo certo. Futebol é um esporte de contato. O time passou por seis testes de coronavírus. Não se pode exagerar. Estávamos muito próximos dos oponentes no jogo, nos escanteios. Não podemos evitar isso. É uma linha muito fina sobre a qual caminhamos”, analisou. “Temos que ter cuidado para não agirmos como o coral da igreja. A alegria depois de cinco semanas isolados não deveria deixar ninguém histérico”.

O Hertha Berlim teve um caso positivo de coronavírus em seu elenco, o defensor Maximilian Mittelstädt, enquanto dois jogadores entraram em quarentena por contatos próximos com infectados. Além disso, o clube causou discussão nos últimos dias, depois que um vídeo circulou com imagens de Salomon Kalou ignorando as regras. A organização da Bundesliga já havia anunciado que não puniria os jogadores, caso quebrassem alguma recomendação.

Por fim, Labbadia preferiu enfatizar a maneira como a Bundesliga pode se colocar à frente das demais competições e ganhar visibilidade com sua volta: “Longe de estarmos acima dos outros, mas temos que mostrar como a Bundesliga fez um grande trabalho – com os políticos, com todo mundo envolvido. Mesmo na Inglaterra, todos os jogos serão transmitidos ao vivo. Não devemos olhar sempre pelo lado negativo. Devemos ficar orgulhosos por conseguirmos voltar com a liga antes dos outros. É sobre mostrar uma boa competição em campo”. É sobre dinheiro, também. A discussão entre o “exemplo dado” e os “riscos desnecessários corridos” seguirá pelas próximas rodadas.