Quando decidiu deixar o Arsenal em 2011 para ir ao Barcelona, certamente pesou na decisão de Cesc Fàbregas seu passado nas categorias de base blaugranas e a boa relação com figuras centrais do clube, como Piqué, Xavi e Iniesta. Porém, como revelou o próprio jogador em entrevista ao podcast do Arseblog, publicado nesta terça-feira (24), a falta de companheiros completamente dedicados à causa ou mesmo de alto nível técnico teve papel fundamental em seu adeus ao norte de Londres.

Fàbregas afirmou que ver alguns comportamentos de certos jogadores o fez sentir que estava na hora de buscar um outro caminho. Segundo ele, “se não fosse por isso, não teria deixado o Arsenal naquele momento”.

O espanhol conta que passava noites sem dormir após uma derrota, sofrendo. Ver que os reveses não impactavam tanto alguns de seus companheiros o incomodava bastante.

“Você perde um jogo, está no ônibus, destruído, e ouve alguns jogadores dando risada, planejando aonde eles iriam mais tarde. Isso aconteceu durante anos. Jogávamos um futebol bonito, e eu curti esse lado das coisas, mas eu estava colocando pressão em cima de mim mesmo, para fazer tudo, e em um momento me senti meio solitário”, desabafou o meia.

Com apenas 24 anos, Fàbregas já era o capitão dos Gunners e, além da pressão que a braçadeira naturalmente trazia, ele colocava ainda mais cobranças em cima de si. “Eu tinha que liderar aquele time a vencer alguma coisa. Dei tudo de mim. Às vezes, ia para casa depois de perder e costumava chorar”, relembra.

Segundo ele, o problema não era apenas de comportamento, mas também técnico. E acredita que apenas dois outros companheiros estavam em seu mesmo nível naquele momento. “Especialmente nos últimos dois ou três anos, senti que o Robin (van Persie) e o Samir (Nasri) eram os únicos jogadores – e não é algo arrogante de se dizer, é como eu me sentia na época – que estavam no meu nível, mentalmente e tecnicamente.”

Especialmente a segunda metade da passagem de Fàbregas pelo Arsenal foi tomada pelo pano de fundo de contenção de despesas com contratações, já que muito havia sido investido na construção do Emirates Stadium. A falta de reforços incomodou o meia.

“Muitas coisas me vinham à mente. Admito que eu estava um pouco vazio, drenado mentalmente, fisicamente, sabendo, no fundo, que estava dando meu máximo, sabendo que algumas contratações que o clube poderia ter feito não aconteceram”, lamentou.

Em sua temporada final nos Gunners, os companheiros mais experientes do jogador incluíam os goleiros Lehmann e Almunia, de 41 e 34 anos, respectivamente, e Rosicky e Squillaci, ambos com 30. Os mais jovens, por sua vez, eram Jack Wilshere e Frimpong (com 19 anos) e Aaron Ramsey, de 20 anos. Nomes como Sagna, Bendtner, Walcott, Vela, Denilson, Clichy e Vermaelen também faziam parte do grupo.

Fàbregas deixou o Arsenal após a temporada 2010/11, indo para o Barça, onde tinha se formado nas categorias de base durante seis anos, entre 1997 e 2003, antes de se mudar para Londres, onde teria mais espaço para subir ao time profissional.