O anúncio de Cesc Fàbregas pelo Monaco era apenas uma questão de tempo. O Chelsea tentava segurar a confirmação do negócio enquanto não trouxesse outro jogador para o setor. Todavia, desde a emotiva despedida do espanhol em Stamford Bridge, já estava evidente que sua saída era apenas uma questão de tempo. E, enfim, a transferência se consumou nesta sexta-feira. Os monegascos indicaram a assinatura do veterano com um vídeo criativo. Será o “relojoeiro” a tentar acertar os ponteiros da equipe que aparece na zona de rebaixamento da Ligue 1. Assina contrato até 2022, em transação sem custos.

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Considerando os 31 anos de Fàbregas, a impressão é a de que o meio-campista poderia continuar rendendo com o Chelsea por mais tempo. Chegou a fazer algumas partidas exuberantes neste primeiro semestre da temporada, embora fosse relegado a competições secundárias. Todavia, dentro de seu estilo de jogo intenso, Maurizio Sarri preferiu abrir mão do veterano. A questão física é um entrave ao espanhol faz algum tempo, também deixado de lado por Antonio Conte, mesmo com atuações decisivas na conquista da Premier League em 2016/17. E a transferência para uma liga de menor exigência provará quanto o camisa 4 ainda pode oferecer.

Ao Monaco, a chegada de Fàbregas é imprescindível. Não apenas por ganhar um maestro genuíno, o jogador que pode cadenciar a faixa central e distribuir assistências – de certa maneira, algo que perderam com a venda de João Moutinho ao Wolverhampton. O espanhol também oferece uma enorme experiência ao elenco essencialmente jovem, que sofre por seus erros na Ligue 1 e não consegue se aprumar na fuga ao rebaixamento. Assim como Naldo, o meio-campista agrega um fator também psicológico no Estádio Louis II. Será alguém para assumir as responsabilidades e suportar o fardo da pressão, ao lado ainda de Radamel Falcao García – um nome a se beneficiar com os passes do reforço.

Mesmo no meio-campo, Fàbregas poderá potencializar outros companheiros, especialmente os jovens. Youri Tielemans, Aleksandr Golovin, Jean Eudes Aholou, Sofiane Diop e Youssef Aït Bennasser estão entre as opções mais frequentes no setor. O maestro terá companheiros a correr por ele, embora por vezes falte uma proteção maior na cabeça de área. Um dos pontos a se solucionar será o encaixe do novo contratado, providenciando a liberdade necessária para que ele cadencie a bola e possa aguçar o jogo vertical dos monegascos. Por toda a sua qualidade técnica, é um jogador para ter ao menos parte do time atuando em sua função.

Outro desafio a Fàbregas será no próprio departamento médico. Manter-se saudável é algo fundamental, ainda mais neste Monaco que vê sua lista de jogadores lesionados sempre cheia. Os desfalques constantes, aliás, explicam em partes a campanha fraca nesta temporada. Obviamente, as condições físicas do espanhol não dependem de seu querer. Mas ele será uma peça essencial dentro do esquema, que os alvirrubros não poderão se dar ao luxo de perder. Até por isso a diretoria traz novos nomes ao elenco nesta janela de inverno.

Fàbregas deverá se colocar como uma voz ativa de Thierry Henry dentro do grupo. Os dois, afinal, compartilharam o vestiário do Arsenal por alguns anos. O craque francês se tornou uma espécie de tutor ao então prodígio espanhol. Ambos estiveram em campo juntos 102 vezes, de 2004/05 a 2006/07. Além de possuírem o mesmo empresário, continuam muito amigos – a ponto de conversarem semanalmente ao longo destes 12 anos em que suas carreiras seguiram rumos diferentes. A parceria fatalmente influenciou os trâmites do negócio, quando outros clubes (sobretudo o Milan) demonstravam o interesse na contratação do jogador.

Por fim, esta será talvez a última grande chance para Fàbregas no futebol europeu. Emplacar no Monaco pode abrir portas novamente a uma equipe maior. Seu contrato, de qualquer forma, indica um compromisso para reerguer os monegascos a longo prazo, além de “apenas” evitar o rebaixamento. A quem sempre prometeu muito, o espanhol possui um currículo vitorioso, mas aquém de seu talento e de sua capacidade. Carregar um time tradicional, neste momento tão difícil, poderá aumentar a consideração ao maestro.