Fabinho se agigantou na zaga, e o Liverpool arrancou uma vitória suada em Amsterdã

O Liverpool recebeu a pior notícia possível depois do empate contra o Everton no meio de semana: Virgil Van Dijk sofreu uma séria lesão no joelho e pode até perder a temporada. Não perdeu apenas um corpo em um setor do seu elenco que já ficou bastante curto com a saída de Dejan Lovren sem uma reposição, mas perdeu também o cara que lidera sua defesa desde que essa defesa ficou realmente boa. Como indicava que faria desde o começo da temporada, Jürgen Klopp cobriu a ausência recuando Fabinho, e o volante brasileiro teve uma grande atuação na vitória por 1 a 0 sobre o Ajax, em Amsterdã.

Fabinho fez um jogo quase perfeito. Composto, com tempo de bola, concentrado. Se tivesse um rabo de cavalo, nem daria para notar que Van Dijk não estava em campo. Foi o destaque de um jogo não muito bonito do Liverpool, desfalcado no meio-campo e que resolveu poupar seu trio de ataque titular na metade do segundo tempo. Com Fabinho improvisado, sem Thiago, também machucado, e Jordan Henderson na reserva, o meio começou com Curtis Jones mais recuado, Wijnaldum e James Milner.

Nos primeiros minutos, Fabinho fez dois desarmes seguidos dentro da área antes de Mané puxar um contra-ataque e bater de fora da área. O chute foi bloqueado, mas foi a primeira situação mais ou menos perigosa do Liverpool. E seria a última por algum tempo. O Ajax começou a ganhar embalo, primeiro com uma cabeçada de Lisandro Martínez na segunda trave, depois com uma bola enfiada por David Neres para Quincy Promes. Adrián fez defendeu as duas. A segunda, à queima-roupa, foi uma bela intervenção, embora talvez Promes estivesse impedido – hoje em dia, não dá mais para saber sem as tais das linhas.

Mas, aos 35 minutos, Mané recebeu a cobrança de lateral pela ponta esquerda, girou em cima da marcação e invadiu a área. Chutou muito mal. Só que Nicolás  Tagliafico achou a jogada bonita demais para não terminar em gol e cortou contra as próprias redes.

E a partir daí, o jogo pegou fogo, e o Liverpool passou a ser perigoso quase todas as vezes em que avançou. Em um contra-ataque, Salah buscou o chute colocado, mas Mazraoui conseguiu bloquear. No outro lado, Tadic saiu na cara de Adrián e conseguiu a cavadinha, mas Fabinho cortou em cima da linha. Logo na sequência, Mané cruzou rasteiro da esquerda, e Schuurs quase marcou contra também. A bola passou perto da trave.

Falando em trave, Klaassen acertou a de Adrián no primeiro minuto da etapa final, e o Ajax pareceu prestes a empatar o jogo nos primeiros 15 minutos. Houve também um contra-ataque bem defendido pelo goleiro espanhol, e o Liverpool respondeu apenas com um pedido de pênalti de Firmino, que driblou Schuurs na linha de fundo e foi de fato derrubado. Mas o árbitro não achou o bastante para marcar a infração.

Klopp se mexeu com três substituições ao mesmo tempo. Para tentar mudar o panorama do jogo? Não. Parece que foi um movimento programado em meio a uma maratona com sete jogos em três semana que seria realizado independente de como estivesse o placar. Porque Salah, Firmino e Mané saíram exatamente na marca de uma hora, com o jogo ainda muito indefinido. Entraram Shaqiri, Minamino e Diogo Jota.

Foi um risco alto que Klopp tomou, mas também ciente que um empate ou mesmo uma derrota em Amsterdã não seria um desastre pensando em classificação. E até que os reservas do ataque fizeram o seu trabalho. Minamino exigiu defesa de Onana da entrada da área, Wijnaldum cabeceou por cima do travessão e depois Jota conseguiu desarmar Onana quase no meio-campo, mas Schuurs conseguiu recolher a bola. Aos 45 minutos, Wijnaldum saiu na cara do goleiro, que conseguiu fechar bem o ângulo.

O Ajax quase empatou no apagar das luzes. A bola sobrou para Ekkelenkamp na entrada da área, mas a batida de chapa passou por cima do travessão, junto com as chances de os holandeses arrancarem um ponto do Liverpool.

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