Não só de protestos antes de todos os jogos se faz um futebol menos racista. É preciso mexer onde dói, no bolso e na competitividade, e a Federação Inglesa (FA) anunciou uma série de novas medidas a serem adotadas já a partir da temporada 2020/21 para lidar com o crescente problema de discriminação, não só racial, mas de todo tipo.

Em um comunicado publicado nesta quinta-feira (6) em seu site oficial, a FA detalhou novas punições para casos de discriminação no futebol inglês. As medidas abarcam tanto atos cometidos por atores do esporte, como jogadores e técnicos, quanto por indivíduos presentes nas arquibancadas.

Começando por jogadores, treinadores e membros da área técnica, atos comprovados de discriminação dentro de campo poderão render suspensões de seis a 12 partidas. A federação acredita que, com este escopo maior, cada caso poderia ser julgado separadamente e sancionado de maneira mais justa, de acordo com suas circunstâncias específicas.

Fora de campo, atletas e comissão técnica não estão livres do escrutínio da entidade. Qualquer ofensa discriminatória constatada fora do jogo, seja “por escrito ou por qualquer dispositivo de comunicação” (via redes sociais, por exemplo), renderá punição mínima de três jogos de suspensão.

Em relação a casos de discriminação perpetrados por torcedores, a FA esclarece que não tem jurisdição sobre indivíduos nas arquibancadas, mas que não deixará os episódios passarem em branco. Qualquer medida por causa de comportamento discriminatório por parte de um torcedor será tomada contra o clube, que deverá responder por seus espectadores.

Se houver provas claras de cânticos racistas por parte de um grupo de torcedores, por exemplo, a FA propõe punições que vão desde multas para primeiras ofensas até o fechamento parcial ou completo das arquibancadas para casos subsequentes.

Para chegar a seu novo protocolo, a Federação Inglesa consultou organizações como a Kick It Out, que combate o racismo no futebol inglês, a PFA (órgão que representa os jogadores profissionais na Inglaterra) e a LMA (sindicato dos técnicos da Premier League e da Football League)

Clubes da Premier League já vinham tomando papel mais proativo que de seus pares no futebol europeu ao lidar com casos de discriminação em seus estádios –  como pudemos observar quando torcedores de Brighton e Chelsea foram expulsos do Amex Stadium por supostas ofensas homofóbicas; ou quando um torcedor do Manchester United foi forçado a deixar o Old Trafford durante um clássico contra o Liverpool por suposto abuso racial.

No papel, parece que estamos diante de boas medidas. Os clubes agora terão um incentivo claro, além da manutenção de sua imagem, para combater ainda mais comportamentos que não têm espaço no esporte. Na prática, precisamos esperar para ver como será (e quão efetiva será) a aplicação de todas essas diretrizes.