A primeira divisão do Campeonato Russo guardará diversas novidades interessantes para a próxima temporada. O primeiro time a assegurar o acesso foi o tradicionalíssimo Dynamo Moscou, retornando à elite um ano depois da queda. A segunda vaga direta ficou com o estreante Tosno, que garante um segundo representante à região de São Petersburgo. Já o clube que mais chama atenção é o SKA Khabarovsk, costumeiro militante da segunda divisão. Afinal, os novatos imporão um desafio logístico na Premier League Russa: estão localizados no extremo leste do país, próximos à fronteira com a China. Será o primeiro time da região no primeiro nível desde 2008.

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Apesar das longas viagens, o SKA Khabarovsk manteve-se competitivo ao longo da temporada na segundona do Campeonato Russo. Rondando as primeiras posições ao longo do segundo turno, o time terminou na quarta colocação, o que lhe daria o direito de disputar os playoffs de acesso contra o 13° da primeira divisão. Após dois empates por 0 a 0 (e, entre ida e volta, cerca de 14 mil quilômetros percorridos), o SKA derrotou o Orenburg nos pênaltis, assegurando o acesso inédito.

Somando as eras de Campeonato Soviético e Campeonato Russo, esta será apenas a terceira vez que um clube da costa do Pacífico participa da primeira divisão. O Okean Nakhodka esteve na elite logo nos primeiros anos do desmembramento soviético, entre 1993 e 1996, falindo em 2015. Já o representante anterior tinha sido justamente o rival do SKA, o Luch-Energiya. O clube de Vladivostok esteve no topo da pirâmide em 1993 e voltou para uma passagem de três temporadas, entre 2006 e 2008, quando chegou mesmo a beirar a zona de classificação às competições europeias. Na atual temporada, o Luch acabou rebaixado à terceirona.

Durante a última campanha na segunda divisão, o SKA Khabarovsk até enfrentou percursos maiores do que as que percorrerá na Premier League. Contra o Baltika Kaliningrado, por exemplo, foram mais de 9 mil quilômetros – pouco menos que a distância entre São Paulo e Tijuana, maior viagem da história da Libertadores. E, a depender do que aconteceu na segundona, não contará com um apoio logístico em sua tabela, que diminua os gastos e os desgastes das travessias constantes à parte ocidental do país, que concentra a maioria absoluta dos participantes da elite. Adversário mais “próximo”, o Ural Ecaterimburgo fica a 6,5 mil quilômetros – 2 mil km a mais que Pelotas-Fortaleza, a maior distância das duas principais divisões do Brasileirão. Não à toa, há quem defenda a entrada de SKA, Luch e outros times do leste nas ligas asiáticas – Seul, Tóquio e Pequim estão todas a menos de 2 mil quilômetros.

Diante de todo o cenário, a mera participação na elite é um desafio enorme ao SKA Khabarovsk. E, de certa maneira, também para os seus adversários. Em setembro, a equipe do extremo leste eliminou o futuro campeão nacional, Spartak Moscou, na Copa da Rússia. Assim, o Campeonato Russo guardará ótimas histórias nos próximos meses, especialmente de torcedores que enfrentarão a jornada. Aperitivo a mais em um ano no qual o futebol russo estará em evidência, às vésperas da Copa do Mundo.

PS: Ao contrário do que foi informado anteriormente, o Tom Tomsk não será o adversário mais próximo, visto que acabou rebaixado. Correção feita.