Expulsão desmonta o Palmeiras, Grêmio aproveita e está na semi da Copa do Brasil

A partida era equilibrada, com o Palmeiras levemente superior, até Allione ser expulso, aos 20 minutos do segundo tempo

Poucas vezes um jogo tem um divisor de águas tão claro quanto o duelo de quartas de final entre Palmeiras e Grêmio, nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil, no Allianz Parque. O dono da casa, cheio de reservas, jogava bem, melhor do que em tempos recentes, e havia feito o gol que precisava para avançar às quartas de final. O Tricolor, imortal, recusava-se a morrer e buscava o empate que precisava. Jaílson havia feito duas ou três boas defesas. Estava equilibrado, com o Palmeiras levemente superior. Até que Allione foi expulso.

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O cartão vermelho para o meia-atacante argentino, aos 20 minutos do segundo tempo, mudou totalmente o panorama da partida. Encurralou e desmontou o time da casa. Passou o controle ao Grêmio, que soube aproveitar muito bem a vantagem numérica para pressionar o adversário. E, aos 31 da etapa final, Everton fez o gol da classificação gremista. O Palmeiras não encontrou mais o caminho para tentar levar o duelo aos pênaltis.

Entre duas partidas do Campeonato Brasileiro, a dias de enfrentar o Sport, Cuca decidiu poupar praticamente todos os titulares. Vitor Hugo, Mina, Roger Guedes, Dudu, Tchê Tchê e Moisés nem foram relacionados. Jean e Zé Roberto ficaram no banco de reservas. Jogaram Fabiano, que começou atuando contra o Figueirense, Gabriel Jesus, suspenso para o Brasileirão, e o goleiro Jaílson. Mas estiveram em campo vários atletas que jogaram bastante este ano, como Dracena, Egídio, Thiago Santos, Cleiton Xavier, Barrios e Erik. O Grêmio veio com força máxima.

Desde que Alexandre Mattos recebeu o talão de cheques do Palmeiras para contratar jogadores, houve muita discussão sobre a força do elenco formado, que teria várias opções para uma mesma posição. Essa força foi demonstrada, nesta quarta-feira, com uma boa exibição dos reservas palmeirenses contra o bom time do Grêmio. Em termos exclusivos de desempenho, foi até mesmo melhor do que os titulares vinham apresentando nas partidas do Brasileirão. Principalmente no setor ofensivo: havia mais criatividade, mais aproximação, mais tabelas.

Houve duas grandes chances para o Palmeiras durante o primeiro tempo. As duas com passes de Egídio, em ótima noite. O lateral esquerdo cobrou falta, e Barrios completou ao travessão. Em chegada pela esquerda, ele cruzou para Allione que, de dentro da área, bateu para o gol com boa chance de marcar, mas Marcelo Oliveira cortou quase em cima da linha. O Grêmio respondeu com Pedro Rocha que, após boa tabela com Douglas, deu um chute próximo à trave de Jaílson.

O goleiro palmeirense teve que trabalhar logo no começo do segundo tempo, em uma cabeçada de Marcelo Oliveira. Mas foi o Palmeiras quem abriu o placar, também na bola parada. Em cobrança de escanteio, Thiago Martins cabeceou no ângulo de Bruno Grassi e fez o gol que classificaria o time da casa. O Grêmio respondeu com uma patada de fora da área de Walace, para outra boa defesa de Jaílson.

E, então, apareceu Allione. Everton estava na intermediária ofensiva, pela esquerda. Havia Jean e Thiago Santos na marcação. O gremista havia acabado de dar um drible para trás. E Allione deu-lhe um carrinho, uma rasteira, pelo lado. Levou um justo cartão vermelho direto, e o panorama da partida foi totalmente modificado. Até ali, estava 1 a 0 para o Palmeiras e Jaílson havia feito boas defesas, mas os anfitriões pareciam ter alguma reserva para quando as coisas complicarem.

Quem passou a sobrar, no entanto, foi o Grêmio. Adiantou o time para o campo ofensivo, tomou conta da bola, e era uma questão de tempo até que marcasse o gol que precisava. Douglas deu uma bela assistência para Everton, que sambou para a direita e bateu no canto rasteiro de Jaílson. E não houve mais jogo: nos 15 minutos finais, o Palmeiras tentou pressionar, tentou arremessar a bola na área do visitante, mas não criou chances para pelo menos levar o duelo aos pênaltis.

O único alento ao palmeirense é que seu clube tem quatro pontos de liderança no Campeonato Brasileiro e pode focar toda a sua atenção nessa disputa. Mas uma desclassificação é sempre doída, ainda mais quando o time faz uma boa partida e tinha chances reais de passar às semifinais. O Grêmio ganhou a chance de salvar o ano com um título nacional, o título nacional que o clube não conquista desde 2001. Renasceu, principalmente na questão anímica, sob o comando de Renato Gaúcho e teve todos os méritos do mundo em aproveitar a cicatriz que o Palmeiras expôs no Allianz Parque com a expulsão de Allione.