Sabe aquela bola chutada para cima por Roberto Carlos, na final da Champions League de 2002, cuja trajetória foi perfeita até o pé esquerdo de Zidane, que a emendou no ângulo do Bayer Leverkusen, decretando a vitória e o nono título europeu do Real Madrid? Ela – ou na pior das hipóteses uma prima próxima – está no Brasil. Compõe a exposição da taça da Champions League no Museu Brasileiro de Escultura, na zona oeste de São Paulo, que será aberta para o público nesta sexta-feira.

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A orelhuda está no Brasil pela terceira vez, depois das visitas de 2008 e 2013. A cerveja Heineken promove a turnê, que a leva a três países por ano. Está em cima de um púlpito ao final da exposição e muito disposta a posar para fotos com todos os visitantes. Pode-se até gravar um vídeo comemorando ao lado dela como se tivesse acabado de conquistá-la.

Tocar na taça? Não. Nunca. De jeito nenhum. A não ser que você tenha, de fato, vencido a Champions League. Apenas os campeões podem encostar na taça, como Deco e Belletti que a pegaram das mãos do consumidor especial convidado pela cerveja para trazê-la ao palco no pré-evento de aberto à imprensa nesta quinta-feira.

A bola da decisão de 2002 assinada por Zidane (Foto: Bruno Bonsanti/Trivela)
A bola da decisão de 2002 assinada por Zidane (Foto: Bruno Bonsanti/Trivela)

A bola da decisão de 2002 é apenas um dos muitos itens que estarão disponíveis para o público. Há também, por exemplo, o uniforme que David Beckham utilizou na campanha vencedora do Manchester United em 1999, a pelota que Raúl González colocou nas redes contra a Internazionale, em 2011, que lhe valeu o recorde de maior artilheiro da história da competição naquela época (já foi superado por Messi e Cristiano Ronaldo) e painéis com fotos de lendas como Eusébio e Di Stéfano, além de declarações interessantes sobre eles.

A entrada é gratuita, mas é necessário fazer um cadastro no site www.heinekentrophytour.com.br com antecedência. Cada cadastrado pode levar até três acompanhantes.

Serviço

Local: Grande Salão do MUBE

Endereço: Rua Alemanha, 221 – São Paulo

Datas: 01, 02 e 03 de Abril

Horários: 10hs às 22hs em três turnos: das 10h às 14h, das 14h30h às 18h, e das 18h30 às 22h.

Cadastro: www.heinekentrophytour.com.br a partir de 22/03

A camisa usada por Ronaldinho Gaúcho na final de 2006 (Foto: Bruno Bonsanti/Trivela)
A camisa usada por Ronaldinho Gaúcho na final de 2006 (Foto: Bruno Bonsanti/Trivela)

Depois da turnê, batemos um papo com Deco e destacamos aqui os principais trechos:

Em três das últimas quatro temporadas, Bayern de Munique, Barcelona e Real Madrid chegaram juntos às semifinais. As partidas desses times, principalmente na fase de grupos, tendem a ser previsíveis. Como você vê esse desequilíbrio e tem algum jeito de fazer isso mudar?

Não é apenas uma questão financeira. Organização, boas contratações. É estrutura. Tem clubes que fazem altos investimentos, mas não conseguem os mesmos resultados.

O que o Porto de 2004 tinha de diferente e ainda vai acontecer uma final tão inesperada quanto Porto x Monaco?

Pode acontecer esse ano, nunca se sabe. No nosso caso, aconteceram muitas coisas. Ganhamos a Liga Europa no ano anterior, jogamos contra uma Lazio que era uma potência. Ganhamos bem. Mantivemos os jogadores. O clube não cedeu à tentação e à necessidade de vender. Teve a sorte de ficar com o Mourinho por mais uma temporada e fez um time muito competitivo.

Teve Barcelona com Rijkaard, com Guardiola e com Luis Enrique. Dá para analisar esses três times fantásticos?

Mais parecido com o Barcelona do Rijkaard é esse do Luis Enrique. O do Guardiola era um time único, pelos jogadores que tinha. Tinha 90% de posse de bola, cansava o time adversário. Não era tão perigoso no contra-ataque como é esse. Além da qualidade que O Barcelona tem com a bola, quando você estiver atacando, se não tiver preocupação ofensiva, dois, três passes e ele está na cara do gol.

Deco e Belletti (Foto: Divulgação/Heineken)
Deco e Belletti (Foto: Divulgação/Heineken)

Você acha que Mourinho toparia treinar a seleção brasileira?

Acho que não. Ele tem outras prioridades agora. Não sei. Conheço ele, sou amigo dele. Tem uma questão familiar, não deve ser fácil uma mudança para o Brasil. Mas pode ser que sim, sabendo como ele gosta de desafios, é motivado por isso. Qualquer treinador do mundo teria motivação para treinar a seleção brasileira, pela história, pelo que representa, pelos jogadores. O mundo inteiro estaria atento. A seleção brasileira é um time que qualquer um gostaria de treinar.

Como você vê a possibilidade de um técnico estrangeiro treinar a seleção brasileira?

O Brasil tem muitos bons técnicos, trabalhei com vários. Tem um que eu não trabalhei e gostaria de ter trabalhado que é o Tite. Para mim, está em um nível muito alto. Não tem que entrar na história de ser de fora ou daqui. Tem que encontrar quem é bom. Temos bons aqui, temos bons fora. O que está na seleção é bom. As escolhas não tem que ser feitas pela nacionalidade. O Brasil é um país que recebe bem, já tem técnicos estrangeiros nos clubes, muitos treinam fora. A escolha não tem que ser pela nacionalidade.

O que falta para um técnico brasileiro ter destaque em uma Champions League?

Primeiro, os treinadores que já treinaram foram o Luxemburgo no Real Madrid e o Felipão no Chelsea. Não conseguiram ter sucesso. Acho que falta um treinador brasileiro conseguir ganhar ou fazer um bom trabalho. Problema é que os treinadores são bem remunerados no futebol brasileiro. É difícil sair daqui para começar em um clube de maior expressão. Não tem treinador brasileiro indo direto para os grandes clubes. Acho que é uma questão de acontecer primeiro. Acho que o Brasil tem bons treinadores, sim.