Um especialista em gerenciamento de crises já teria convulsões por ver tantos erros. As primeiras horas da Portuguesa após a denúncia de que poderia perder quatro pontos e, portanto, ser rebaixada foi uma aula do que não fazer. O que, no final das contas, deixa a seu torcedor uma sensação de desalento, e de que talvez a vaca realmente esteja se dirigindo ao brejo.

A notícia de que a CBF apresentou ao STJD uma denúncia de que Héverton teria jogado irregularmente contra o Grêmio surgiu à noite. O departamento jurídico afirma que a punição fica válida a partir do primeiro dia útil após a publicação do resultado do julgamento, o que ocorreu apenas nesta segunda (ou seja, após a partida contra o Grêmio). A informação é de Jorge Nicola, do iG.

De fato, o boletim do STJD sobre a seção que julgou Héverton foi publicado apenas nesta segunda, mas vários clubes durante o campeonato cumpriram a punição julgada na sexta já no fim de semana. Também é verdade que o Regulamento Geral das Competições, no artigo 43, prevê que a punição tenha início no primeiro dia útil após o julgamento (e, como o julgamento foi na sexta e a publicação do boletim na segunda, não teria efeito no domingo).

Essa versão é a definitiva e salvará a Portuguesa? Nem o clube sabe. Como a bomba explodiu à noite, muita informação – como detalhes do julgamento, interpretações sobre os artigos que a Lusa recorre para se absolver – ainda deve surgir.

Mas o que não ajuda nada o clube é o vice-presidente de futebol Roberto dos Santos dar entrevista dizendo que “ouviu do advogado do clube” que a punição seria de um jogo. Erro de digitação do STJD? Tudo bem, Lusa talvez se salve. Erro de comunicação entre advogado e clube? Azar do clube. Que contrate um advogado que se comunique de forma mais clara.

No final, isso tudo só passa uma imagem de amadorismo. A existência de duas versões tão diferentes passa a ideia de que a Portuguesa realmente não sabe por que colocou Héverton em campo. É por que a suspensão ainda não estava valendo ou por que ele pegou apenas um jogo? Fica a sensação de um clube que cometeria o erro primário de colocar um jogador suspenso em campo.

A primeira coisa que a Portuguesa deveria fazer era falar o mínimo possível. Bastaria designar o diretor jurídico para se pronunciar à mídia até uma reunião de toda a direção definir a estratégia de defesa. Do jeito que foi feito, parece que, se a Lusa se salvar, pode ser por ter acertado sem querer.